Deus, nosso Pai, CAMINHE pela minha casa e leve embora todas as minhas preocupações e doenças, e POR FAVOR, vigia e cura a minha família em nome de Jesus ... AMÉM

domingo, 10 de maio de 2026

MÃES ANCESTRAIS: Quem são as Iyami Oxorongá (ou Ìyàmi Òṣòròngà)? O verdadeiro 'poder feminino primordial!


 As Iyami Oxorongá (ou Ìyàmi Òṣòròngà) são as grandes mães ancestrais na tradição Iorubá e religiões afro-brasileiras, representando o poder feminino primordial, a fertilidade e a ancestralidade. Conhecidas como "feiticeiras" ou donas do pássaro da noite (Oxorongá), elas simbolizam a criação, a vida e a morte, sendo cultuadas para buscar proteção e evitar sua ira. 

Principais Características e Fundamentos:

Poder Feminino: Representam a força feminina mais antiga, ligada à criação, equilíbrio do mundo e justiça espiritual.

"Minha Mãe": Iyami significa "minha mãe", um termo de reverência e temor.

Associação com Pássaros: São Eleyés ("proprietárias dos pássaros"), especialmente o pássaro Oxorongá, símbolo de sua conexão com a noite e o poder de transmutação.

Ajé (Feitiçaria): São consideradas as senhoras da magia e da feitiçaria, possuindo profundo conhecimento para o bem ou para o mal.

Culto: Não são orixás de iniciação (não se "raspa" cabeça para elas), sendo assentadas coletivamente para a comunidade. O culto envolve alta reverência, oferendas e respeito absoluto, especialmente em relação ao sagrado feminino. 

Reverência e Mistério:

Diz a tradição que seu nome não deve ser pronunciado em vão, pois invoca sua presença, muitas vezes associada à meia-noite. Elas não são vistas como o "mal" absoluto, mas como forças que exigem respeito e punem o desrespeito, a injustiça e a arrogância. 

OXUM - A líder das Ìyámi

Aqui no Brasil, Oxum é vista como a orixá do ouro, da beleza e das plumas e paetês, mas Oxum está muito longe dessas futilidades de passar 1kg de maquiagem no rosto e suas filhas e filhos dizerem:

"Sou de Oxum porque sou uma pessoa muito linda e vaidosa." Ok, legal, agora vamos a OXUM!

OXUM é a líder das Ìyámi. É ela a senhora do bronze, regente do ventre materno, de cada óvulo feminino, do sangue menstrual, dos seios, a grande feiticeira e estrategista que nunca se contentou com pouco, nunca quis ficar de fora dos segredos dos outros orixás: "por que só Exu pode saber a arte dos búzios, meu pai? Eu também posso e quero aliás, vou aprender" e ela aprendeu.

Oxum é assim, persistente, idealista e independente. Ela carrega em uma de suas mãos não um espelho, mas sim um leque feito das penas do pássaro chamado ÌKÓÒDÍDÉ, penas vermelhas que todo o abian, iniciado, carregada na testa (chakra do terceiro olho) para mostrar o poder feminino, a veneração pela mulher, a admiração por Oxum ser uma das mais poderosas feiticeiras já que com ela estão Nàná e Iemonjá.

Não se deve esquecer que os mortos do sexo feminino recebem o nome de Ìyámi Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Oxorongá chamada também de Ìyá NIa, a grande mãe.

Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Gëlèdé", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder.

O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.

Muitos dos grandes sacerdotes são filhos ou filhas de Oxum. Ela trás o poder do sacerdócio, da adivinhação, da clarividência e da feitiçaria além de qualquer tipo de oráculo africano. Ela juntamente com Exu fala nos búzios.

Exu sabe o quão sábia é Oxum, mas também o quão perigosa ela pode ser, pois Oxum não grita e nem se estressa por qualquer coisa nem mesmo pela pior situação. Ela é elegante no andar, majestosa nas atitudes, cruel nos sentimentos contra seus inimigos e mortal em seu silêncio.

Por isso, não vejam OXUM como bobinha porque ela não é. Um exemplo disso é o caso de um determinado tempo passado em que um chamado pai de santo humilhou essa orixá, mas no final quem saiu vitoriosa? OXUM! A prova disso foi no carnaval em que a Viradouro levou o título com ela como destaque, coincidência? Não mesmo!

Pensem bem antes de subestimar essa Yá, Oxum é a arte, mas ela é a arte da guerra.

ORA IÊ IÊ Ô, OXUM!

AXÉ

(Texto de Thau Ãn)

O verdadeiro 'poder feminino primordial!'

Quando se pronuncia o nome de Iyami Oxorongá quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência pois esse é um temível Orixá, a quem se deve respeito.

Ìyàámi Òṣòròngà, energia ancestral feminina, cultuada por uma sociedade de mulheres.  A sociedade de mães ou Ìyàámi, é o conselho de mulheres idosas da aldeia, que é composto por iniciadas de Òşún, Yemọjá e Oya, tendo Òşún normalmente como a líder.  Os conselhos de anciãs adoram o espírito do ar, que é uma força masculina expansiva e que tem como seu mensageiro: o pássaro.

Toda mulher é uma Àjé, Ìyàámi representa os poderes místicos da mulher no seu aspecto mais perigoso.  São as mães em cólera, que sem a sua boa vontade, a vida na terra não teria continuidade.

Ìyàámi simboliza o princípio feminino, sendo responsável por todo o poder das mulheres, são as grandes mães ancestrais, que tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio da formação do Universo.

Sem o poder feminino, sem o princípio de criação, não brotam plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem continuidade.  Assim, a mulher é o princípio da criação e preservação do mundo.  Sem a mulher não existe vida, e por esse motivo deve ser reverenciada e respeitada.  A mulher está diretamente ligada ao divino, serve como passagem e receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar vida.  A mulher é vista como o útero fecundado, a cabaça que contém a vida, a responsável pela continuidade da espécie e pela sobrevivência da comunidade.

A mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. Todas as mulheres e todas as Divindades femininas, principalmente Òsún, Yemọjá, Ợya e Nàná, possuem uma grande ligação com Ìyàámi.

O culto à Ìyàámi sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito. Ìyàámi é tida como a perigosa feiticeira, por isso recebe o nome de Àjé (feiticeira).  O medo e o respeito  acerca dessa divindade são tão significativos que, o seu principal nome, Òṣòròngà, quase nunca é pronunciado.

O poder de Ìyàámi é intangível e desmedido, ela é sem dúvida, uma das Divindades mais poderosas e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a elas.  Ìyàámi é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário. Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàámi, no entanto, não podemos deixar de recordar que Ìyàámi, é também, o princípio gerador feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina.

Muito embora, grande parte do culto de Ìyàámi seja destinado às mulheres, existem os Oṣò, que são homens feiticeiros, mas infinitamente menos violentos e cruéis que as Àjé.  Eles participam do culto, onde, em forma de submissão total as mulheres e ao seu poder, prestam reverência e homenagens à Ìyàámi.

Trazidas ao mundo pelo Odù Osá Méjì, as Ajé, juntamente com o Odù Òyèkú Méjì, formam o grande perigo da noite.

O objetivo da sociedade, que antes era exacerbar a maldade existente no poder feiticeiro de Ìyàámi, modificou-se e as danças, os cânticos e as oferendas feitas em sua homenagem, visam, a aplacar a sua cólera ao em vez de incentivá-la.

No país Yorùbá, as atividades das feiticeiras – Àjé – estão ligadas às das divindades, Òrìşà, e aos mitos da criação.  As Àjé são um dos pilares essenciais da sociedade, porém evita-se maldizê-las abertamente, pois se acredita que possuam uma força agressiva e perigosa.

Elas escolhem entre si, uma Ìyálóde (Erelú/Ògbóni), a mulher que dirige as mulheres em uma aldeia Yorùbá.  A Ìyálóde coloca o pássaro dentro da cabaça, a cobre e a entrega a mulher que quer obter o poder de Àjé.  Este pássaro é enviado em missão, cada vez que a Àjé quiser combater alguém.

Elas estão diretamente ligadas a Sociedade Ògbóni.  Ògbóni foi fundada para estabelecer a ordem e a paz em território Yorùbá, com isso, o papel das Ìyàámi, é justamente fazer esse controle entre os seres humanos.  Aquele que não estiver cumprindo o juramento feito, de lealdade, fraternidade, caráter reto, é com Ìyàámi que deverá prestar contas, ela faz esse controle e cobra os tributos.

Texto adaptado por: Fátima Gilvaz -Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá .Pesquisa: Odé Oláigbo.

A sociedade Òṣòròngà

A sociedade Òṣòròngà congrega as Àjé – feiticeiras.  Alguns itan de Ifá, ilustram que Ìyàámi tem o poder de se transformar em pássaros – Èhurù, Eluùlú, Àtíòro, Àgbìgbò e Òṣòròngà, este último refere-se ao próprio nome da Sociedade.  Eles empoleiram-se em algumas árvores como o Iroko. Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko (*) durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos.

São detentoras de grande poder, consideradas as donas da barriga.  Ninguém pode com seus Ebó, são propiciadoras da alteração do destino de uma pessoa. Seus poderes são tamanhos que só se consegue, no máximo, apaziguá-las, vence-las jamais.  

Quando se pronuncia o nome de Ìyàámi Òṣòròngà quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois esse é um temível Òrìşà, a quem se deve respeito completo.

Saiba mais sobre a Iroko, - a árvore dos orixás, acessando https://bezerraomedicodospobres.blogspot.com/2026/04/iroko-arvore-orixa-e-orixa-da-arvore.html

Àwọn Ìyámi Àjẹ́

Uma das mais importantes e perigosas Divindades do Candomblé, a grande mãe ancestral Ìyàmì. Essas grandes senhoras são, sem dúvidas, o maior símbolo do poder feminino da cultura yorùbá.

Antes de tudo, é importante recordarmos que o culto às Mães Ancestrais, chegou ao Brasil, ainda à época da escravidão, sobretudo por meio de Maria Júlia Figueiredo, do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, que possuía dois dos mais importantes títulos nas sociedades femininas yorùbá, o de Ìyálode (chefe entre as mulheres) e Erelu (supremo título feminino na sociedade Ogboni). É muito importante salientar o papel de Maria Júlia Figueiredo (Ìyá Omoniké), para a formação desse culto no Brasil, bem como os seus títulos honoríficos, trazidos da África, pois há quem erroneamente acredite que o conhecimento litúrgico acerca das Ìyàmì seja algo recente no Brasil.

Fato é que nas mais antigas e tradicionais comunidades de Candomblé da Bahia, o culto à Ìyàmì sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito e não participado à maioria. A evocação dessa importante Divindade em rituais como o Ipade, bem como, os assentos mais que centenários existentes nos tradicionais terreiros, corroboram a constatação desse culto ter sido introduzido no Brasil, juntamente com o surgimento do Candomblé na Bahia.

O primeiro nome Ìyàmì, que significa “Minha Mãe”, antecede os diversos “apelidos” que são utilizados para mencionar a grande mãe ancestral, tais como o mencionado “Ìyàmì Osoronga” (que não deve ser pronunciado em momentos indevidos), “Ìyàmì Eleye”, “Ìyàmì Ajé”, “Ìyàmì Agba” dentre muitos nomes.

O poder de Ìyàmì é intangível e desmedido, ela é sem dúvida alguma, uma das Divindades mais poderosas do Candomblé e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a Ìyàmì. No Ipade, Ìyàmì é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário para a realização das festividades.

Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàmì, no entanto, não podemos igualmente deixar de recordar que Ìyàmì, é também, o próprio princípio genitor feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina. Muitos dizem, de forma indevida, que Ìyàmì é uma divindade do mal. A verdade é que Ìyàmì jamais pode ser deixada de lado, isso sim desperta a sua cólera e seus aspectos mais perigosos.

Ìyàmì é o maior símbolo da ancestralidade feminina e a maior representação feminina é o ventre, simbolizado na cultura yorùbá pela cabaça (igba) e pelo ovo (eyin adiye). Ìyàmì é a grande dona do ventre, razão pela qual, muitas mulheres com dificuldade de engravidar recorrem a ela, para conseguir realizar o sonho da maternidade. Ìyàmì tem grande poder sobre toda a parte genitora, uma das reverências que as mulheres realizam para Ìyàmì, é justamente tocar a árvore sagrada dessa Divindade com a barriga, em sinal de respeito e clamando por proteção e filhos.

Os terreiros de Candomblé que colocam em suas portas ou assentos de Ìyámì, um pequeno alguidar com ovos e azeite de dendê, estão apaziguando a grande mãe e pedindo para que as intrigas, confusões e discórdias não adentrem ao terreiro. Como já mencionado, o ovo representa o ventre e, por consequência Ìyàmì, o azeite de dendê, diferente do que muitos acreditam, por sua vez, tem o poder de apaziguar, de trazer a calma (eró).

Outro símbolo dessa poderosa Divindade é o pássaro, por isso, ela também é chamada de Ìyàmì Eleye (a mãe dona do pássaro, em especial, a coruja). Em Salvador, é comum se ouvir das antigas egbon do Candomblé que, quando uma coruja (owiwi) canta, Ìyàmì está anunciando a sua chegada o que pode em muitos casos, ser um mau presságio. Quando isso acontece, elas imediatamente cruzam a barriga e a nuca.

Muitas histórias discorrem sobre a ligação das Ìyàmì com os pássaros, com as penas das aves (Mãe poderosamente emplumada). Em uma antiga foto constante no terreiro da casa branca, Ìyá Júlia (Ìyá Lode, Erelu) aparece com uma pena de um pássaro na cabeça, mostrando novamente a sua ligação com o culto dessa Divindade. Ainda hoje, é comum vermos antigas egbon do Candomblé, carregando entre os cabelos, uma pena de pássaro.

Algumas historias de Ifá, ilustram que Ìyàmì tem o poder de se transformar em pássaro, empoleirando-se em algumas árvores como Iroko e Ajanrere. Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos.

Muito embora, grande parte do culto de Ìyàmì é destinada às mulheres, existe a dança de Gèlèdè, realizada por homens. Nessas danças, os homens prestam homenagem à Ìyàmì, com máscaras que simbolizam a própria imagem da Grande Mãe Ancestral. A dança realizada por homens, mostra de forma contundente que a mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. No Brasil, a dança de Gèlèdè não perdurou, talvez pelo fato da supremacia da mulher nos terreiros e, ainda talvez, pelo forte culto à Egúngún, os grandes ancestrais masculinos, que diferente do culto à ÌYámì, tem quase que sua totalidade de rituais, liderados por homens.

Todas as mulheres e todas as Divindades femininas – principalmente Òsun, Oba, Yewa, Oya, Nana e Yemoja, possuem uma grande ligação com Ìyàmì. Cada uma dessas Divindades possui uma justificativa que ilustra sua ligação com Ìyàmì, mas o fato de todas serem mães e poderosas em suas sociedades, reflete de forma abrangente esses laços.

No Asè Òsùmàrè, à época das festividades de Òsun, existe um ritual carregado de simbolismo, na qual as mulheres do Terreiro carregam as águas para a árvore consagrada à grande e poderosa mãe. As mulheres do Terreiro, principalmente as Agba, dançam e cantam em homenagem àquela que representa o maior poder da mulher na sociedade Nàgó. 

Embora seja um ritual interno, realizado diante somente dos filhos da casa, é uma cerimônia muito importante para todos, pois revitaliza a importância da mulher e do poder feminino, remetendo-nos à mais pura essência da nossa cultura ancestral. É fundamental, ainda, pois apazigua os poderes dessas grandes mães, transformando sua energia num poderoso agente de proteção, seja para casa, seja para os filhos do egbe.

Obviamente, esse culto é cercado de segredos que não podem ser revelados aos não iniciados e, em momento algum, podemos esquecer que estamos escrevendo num ambiente que é aberto a todos. No entanto, mesmo com o cuidado de não participar o Awo (mistério) desse culto, nós do Terreiro de Òsùmàrè, esperamos ter contribuído para o esclarecimento sobre essa importante Divindade do Candomblé, Ìyàmì Agba.

Texto: Casa de Òsùmàrè – Bahia
Pesquisa inicial: Fernando D’Osogiyan.
Pesquisa final e diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES


sábado, 2 de maio de 2026

O PROCESSO NÃO DESTRÓI, APENAS TRANSFORMA


 A farinha não nasce sem atrito, o vinho não amadurece sem entrega, o azeite não se revela sem pressão. A matéria simples, quando passa pela força que a modifica, deixa de ser apenas grão, fruto ou semente, e se torna alimento, consolo, remédio, oferta.

Com a alma humana, Deus trabalha de modo semelhante, embora com ternura infinitamente maior. Certas fases nos comprimem por dentro, arrancam ilusões, reduzem vaidades, fazem cair planos que pareciam seguros. Na hora da prova, quase ninguém compreende o bem oculto. O coração sente apenas o peso, a demora, a pergunta sem resposta.

Ainda assim, a dor permitida por Deus nunca chega para inutilizar a criatura. Ela toca onde a consciência adormeceu, ilumina escolhas esquecidas, amadurece forças que a vida confortável jamais despertaria. O trigo poderia reclamar da pedra, a uva poderia lamentar o lagar, a azeitona poderia temer a prensa, mas cada uma guarda, dentro de si, algo mais precioso do que sua forma inicial.

Muita gente chama de perda aquilo que, mais tarde, reconhecerá como livramento. Muita gente chama de fim aquilo que o céu usou como passagem. O sofrimento não deve ser romantizado, porque Deus não se alegra com a lágrima de seus filhos. Quando a lágrima chega, a misericórdia divina sabe recolhê-la e convertê-la em lucidez, humildade e fé.

A prova não é castigo para quem deseja melhorar. Pode ser escola, reajuste, convite ao retorno interior. Pode ser a mão invisível impedindo quedas maiores. Pode ser a poda severa que salva a árvore do apodrecimento silencioso.

Romanos 8:28 recorda que “tudo coopera para o bem” daqueles que amam a Deus. Isso não significa facilidade, nem explicação imediata para cada ferida. Significa que nenhuma experiência sincera, entregue ao bem, fica perdida diante do Pai.

Talvez a pressão de hoje esteja revelando em você uma força antiga, guardada para este instante.

O grão não entende a farinha.

A uva não entende o vinho.

A alma, um dia, entende Deus.

domingo, 26 de abril de 2026

A VIDA TRABALHA PARA EDUCAR. Cada um recebe a lição exata do que plantou.


 Ninguém fere apenas o outro quando escolhe a mentira como ferramenta. Alguma coisa se rompe primeiro dentro de quem engana. A consciência perde claridade, o coração se afasta da paz, a alma começa a carregar um peso que o mundo talvez não veja, mas que a vida registra com exatidão. Pode tardar o eco, pode vir em outra forma, pode atravessar o tempo em silêncio, porém nada do que sai de nós se perde no vazio.

A lei divina não se move por capricho, nem por vingança. Justiça espiritual não grita, não humilha, não faz espetáculo. Age com firmeza serena, recolhendo cada intenção e devolvendo a cada espírito a verdade de seus próprios atos. Bondade oferecida encontra caminho de volta. Maldade semeada também. Nisso não há ameaça, há ensino. Nisso não há crueldade, há misericórdia profunda, porque somente a verdade devolvida pode despertar o ser para sua própria renovação.

Muita gente teme o retorno como se Deus estivesse à espera do erro para punir. Mas a vida não trabalha para destruir ninguém. A vida trabalha para educar. Cada decepção vivida depois de uma falsidade cometida, cada abandono sentido depois de uma lealdade traída, cada dor que parece visitar o peito sem aviso pode ser também um chamado da consciência pedindo reparação, humildade e recomeço.

Por isso, pureza de intenção vale tanto. Palavra limpa vale tanto. Retidão quando ninguém está olhando vale tanto. O bem talvez não renda aplauso imediato, mas deixa a alma leve. E leveza íntima já é uma forma de bênção. Entre ganhar o mundo e perder a paz, o espírito que amadurece escolhe permanecer fiel ao que é justo, mesmo em dias escuros.

Toda semeadura pede colheita. Toda escolha pede consequência. Toda criatura, cedo ou tarde, encontra diante de si a própria obra. Felizes os que compreendem isso enquanto ainda podem trocar o orgulho pelo arrependimento, a dureza pela compaixão e a falsidade pela coragem de viver em verdade.

Nessa conta do céu, ninguém é perseguido. Cada um recebe a lição exata do que plantou.

sábado, 25 de abril de 2026

CULTURARTE 308 - abril de 2026 (segunda edição)

CULTURARTE 308
abril de 2026 (segunda edição)



- SALVE SÃO JORGE, SALVE OGUM (SALVE OXÓSSI). Salve o mais 'carioca' de todos os santos. Conheça sua história!
- Pela sua coragem, NADIA MURAD se tornou a primeira iraquiana e receber o Prêmio Nobel
- O verdadeiro brilho está na mulher que aprendeu a não desistir de si
- A história de vida e superação de MAELLE CHAVES (mulher trans)
- DIANA SIROKAI (modelo plus size internacional) e o poder de aceitação do corpo

Tudo isso na segunda edição do mês de abril do Informativo CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica.











quinta-feira, 23 de abril de 2026

SALVE SÃO JORGE, SALVE OGUM! SALVE, SALVE!!!

 Dia 23 de Abril é celebrado o Dia de São Jorge, o mais "carioca" de todos os santos!

Selecionamos uma mensagem especial para a data, além de oração e curiosidades.



Quem foi São Jorge? 

São Jorge, também conhecido como Jorge da Capadócia e Jorge de Lida foi, conforme a tradição, um soldado romano no exército do imperador Diocleciano, venerado como mártir cristão. Na hagiografia, São Jorge é um dos santos mais venerados no Catolicismo, na Igreja Ortodoxa, bem como na Comunhão Anglicana. É imortalizado na lenda em que mata o dragão. É também um dos Catorze santos auxiliares. No cânon do Papa Gelásio (+496), São Jorge é mencionando entre aqueles que “foram justamente reverenciados pelos homens e cujos atos são conhecidos somente por Deus”.

Considerado como um dos mais proeminentes santos militares, a memória de São Jorge é celebrada nos dias 23 de abril e 3 de novembro. Nestas datas, por toda a parte, comemora-se a reconstrução da igreja que lhe é dedicada, em Lida (Israel), na qual se encontram suas relíquias. A igreja foi erguida a mando do imperador romano Constantino.

São Jorge é o santo padroeiro em diversas partes do mundo tais como: (países) Inglaterra, Portugal (orago menor), Geórgia, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia, e (cidades) Londres, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo em Brisgóvia, Moscovo e Beirute. No Oriente, ele é conhecido como “megalomártir”, ou seja, “grande mártir”. Ele também é reconhecido como modelo de virgem masculino, ao lado de São João Evangelista e o próprio Jesus Cristo.

Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo.

"A principal mensagem para o dia 23 de Abril é a de ter fé, não desacreditar dos nossos sonhos e seguir de cabeça erguida em cada batalha."

Acompanhe a seguir a oração de São Jorge pedindo mais Amor.

Oração para São Jorge

“Ó meu São Jorge, meu Santo Guerreiro e protetor, Invencível na fé em Deus, que por ele sacrificou-se, Traga em vosso rosto a esperança e abre os meus caminhos. Com sua couraça, sua espada e seu escudo, Que representam a fé, a esperança e a caridade, Eu andarei vestido, para que meus inimigos Tendo pés não me alcancem, Tendo mãos não me peguem, Tendo olhos não me enxerguem E nem pensamentos possam ter, para me fazerem mal (...) Ó Glorioso nobre cavaleiro da cruz vermelha, Vós que com a sua lança em punho derrotaste o dragão do mal, Derrote também todos os problemas que por ora estou passando (...) Ó Glorioso São Jorge, Dai-me coragem e esperança, Fortalecei minha fé, meu ânimo de vida e auxiliai-me em meu pedido. Ó Glorioso São Jorge, Traga a paz, amor e a harmonia ao meu coração, Ao meu lar e a todos que estão em minha volta. Ó Glorioso São Jorge, Pela fé que em vós deposito: Guiai-me, defendei-me e protegei-me de todo o mal. Amém.”


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge
Para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem,
Tendo mãos não me peguem,
Tendo olhos não me vejam,
E nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,
Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar,
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, Me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça,
Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino,
Protegendo-me em todas as minhas dores e aflições,
E Deus, com sua divina misericórdia e grande poder,
Seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
Estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas,
Defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,
E que debaixo das patas de seu fiel ginete
Meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.
Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge Rogai por Nós.
Amém.



Quem é Ogum?

"Ogum é um Orixá que representa a coragem, a guerra, a tecnologia, o trabalho árduo, o ferro, a caça e a agricultura. Segundo Pai Pablo de Ogum, sacerdote do terreiro Luz de Nzambi, com quem conversamos para compreender melhor esse Orixá, Ogum desvendou o segredo do ferro e da agricultura, compartilhando esses conhecimentos com os humanos. Sua história envolve a criação de áreas de plantio, sendo reconhecido como o Orixá que abre caminhos.

Durante a proibição da umbanda, Ogum foi sincretizado com São Jorge devido à semelhança de características guerreiras, permitindo a prática da religião em segredo. Ogum é associado às cores azul ou vermelho, e seus símbolos incluem espada e cachorro. Seus domínios abrangem a guerra, tecnologia, leis, siderurgia e metalurgia, com oferendas como feijoada, farofa de feijão-fradinho e inhame.


O dia de culto a Ogum é terça-feira, e a oração inclui pedidos de proteção contra inimigos, armas de fogo e outros perigos. Pai Pablo de Ogum destaca a importância da tradição oral na transmissão das histórias nas religiões de matriz africana e enfatiza que as características dos filhos de Ogum podem variar, não sendo determinadas apenas pelo Orixá."

"Saudação a Ogum

Pàtàkòrí Ogum, Ogunhê.

Oração para Ogum

Ogum, rogai por nós. Nunca ficará sem resposta àquele que nele crê… Ogunhê meu Pai!

Eu andarei vestido e armado com as armas de Ogum para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça. Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições. Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.

Glorioso Ogum, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja, com o poder de Deus, de Jesus e da falange do divino Espírito Santo.

Que assim seja, amém!"

São Jorge é Ogum ou Oxóssi?

"Oxóssi é o orixá da caça, das florestas e da fartura. Também é conhecido como o guerreiro de uma flecha só por conta da precisão de suas estratégias de caça. Suas histórias trazem lições sobre o trabalho, a família, o compartilhamento e as estratégias de vida. Com um caráter protetor e esperto, Oxóssi traz consigo o arquétipo do homem provedor e cuidadoso.

Oxóssi e suas representações tiveram um papel fundamental na história da diáspora dos povos africanos para o Brasil e outras nações da América. Ele é sincretizado com dois santos católicos a depender da região, pode ser São Jorge (Bahia) ou São Sebastião (Rio de Janeiro).


Seu símbolo é o ofá, um arco e flecha; sua saudação é Okê Arô, que faz referência a sua linhagem nobre no povo de Ketu, localizado onde hoje é a Nigéria. Não à toa, seus filhos costumam ter o comportamento altivo, elegante e mantêm a cabeça aberta para novas ideias, sem abrir mão de seus planos pessoais."

Oxóssi e São Jorge
O sincretismo com São Jorge acontece pela relação entre “matar o dragão” e a atividade de caça. A figura do cavaleiro também está relacionada a Oxóssi. Alguns dizem que o agueré (dança de Oxóssi) simula uma cavalgada.


Oração a Oxóssi
Muitas das “orações” das religiões de matriz africana são cantadas. Uma dessas cantigas entoadas a Oxóssi, e que o pai Rodney ensina, é:

“Omo Alaketu re
Faraimará
Araketu re faraimará”

Tradução:

“Filhos do rei de Ketu
Abraçai-vos
Povo de Ketu, uni-vos”




domingo, 12 de abril de 2026

"Antes do Berço!" O que foi combinado no Ministério Espiritual para o seu reencarne.



A Doutrina Espírita nos esclarece que, todos nós antes do berço estávamos na espiritualidade, examinando as nossas próprias necessidades de crescimento e aperfeiçoamento, pedimos então para renascer novamente (reencarnação) para dar o devido cumprimento aos nossos deveres que ficaram pendentes e urgentes.

Alguns pediram para renascerem com certas deficiências corpóreas, afim de se  reajustar, valorizar naquilo que fora comprometidos em vidas anteriores, bem como elevar-se em seu crescimento e também sentimentos. Já muitos outros, rogaram para renascerem com algumas enfermidades, e que fossem de longa duração para que pudessem expurgar, reeducar todos os seus impulsos menos digno.

Muitos outros ainda, pediram para renascerem com aquela lesão corporal (física), bem como na falta de algum membro, mutilados, com diversos complexos psicológicos, afim de sofrerem e se lembrarem dos atos praticados através da força e da brutalidade praticadas em outros tempos.  

Muitos companheiros pedem para renascerem dentro de um lar amargo com reencontros com antigos adversários e ou comparsas  do passado, afim de buscarem o perdão, na assimilação do amor ao próximo e a si mesmo, tentando resgatar seus velhos débitos acumulados ao longos de milênios.

Muitas outras pessoas renasceram estéreis, outros pediram para renascerem impotentes, em virtude do mau uso da sexualidade e também da prática assassina do aborto. Hoje renascem assim para aprenderem a dar o devido valor da vida, do amor, do sexo e da maternidade.

Uma infinidades de duras provas foram selecionadas por nós mesmos lá no mundo dos espíritos. Deus nada tem com isso, pois fomos iguais crianças prematuras e levadas da brecas, avançamos as gradinhas de proteção de nossos próprios berços, surgindo aí as amargas sequelas. 

Muitos de nós abandonaremos as difíceis provas do caminho, fugindo para o suicídios, para as drogas e outros tantos atalhos negativos que a vida oferece. Esses então, retornarão para o mundo das origens muito tristes, derrotados, humilhados  e destruídos pela própria falta de fé e de coragem.

Aceitemos todas essas dificuldades do caminho sem murmurar, sem julgar, pois todas elas são as respostas da Providência Divina em nosso favor, bem como aos nossos anseios de reajustes e sublimação. 

Reflitamos bem sobre isso !



sexta-feira, 10 de abril de 2026

CULTURARTE 307 - abril de 2026

CULTURARTE 307 - abril de 2026


- 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas - Salve os povos originários
- Você pode e deve ser feliz também sozinha, com Roberta Avellar
- Gisele Marques dá o ponta pé inicial ao Projeto Águia
- Exemplo de superação, Danny Cruz alerta para a violência doméstica
- O que é quem é uma mulher de coragem?
- Os benefícios da caminhada

Tudo isso na edição de abril do Informativo CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica