Deus, nosso Pai, CAMINHE pela minha casa e leve embora todas as minhas preocupações e doenças, e POR FAVOR, vigia e cura a minha família em nome de Jesus ... AMÉM

sábado, 29 de agosto de 2026

ADOLFO BEZERRA DE MENEZES - 29 DE AGOSTO - 195 ANOS

 ADOLFO BEZERRA DE MENEZES - 29 DE AGOSTO - 195 ANOS

 Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831 na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará. 

Descendia Bezerra de Menezes de antiga família, das primeiras que vieram ao território cearense. Seu avô paterno, o coronel Antônio Bezerra de Souza e Menezes tomou parte da Confederação do Equador, e foi condenado à morte, pena comutada em degredo perpétuo para o interior do Maranhão, e que não foi cumprida porque o coronel faleceu a caminho do desterro, sendo seu corpo sepultado em Riacho do Sangue. Seus pais, Antônio Bezerra de Menezes, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, desencarnou em Maranguape, no dia 29 de setembro de 1851, de febre amarela; a mãe, Fabiana Cavalcanti de Albuquerque, nascida em 29 de setembro de 1791, desencarnou em Fortaleza, aos 91 anos de idade, perfeitamente lúcida, em 5 de agosto de 1882.

Desde estudante, o itinerário de Bezerra de Menezes foi muito significativo. Em 1838, no interior do Ceará, conheceu as primeiras letras, em escola da Vila do Frade, estando à altura do saber de seu mestre em 10 meses.

Já na Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, para onde se transferiu em 1842 com a família, por motivo de perseguições políticas, aprendeu latim em dois anos, a ponto de substituir o professor.

Em 1846, já em Fortaleza, sob as vistas do irmão mais velho, o Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra, conceituado intelectual e líder católico, efetuou os estudos preparatórios, destacando-se entre os primeiros alunos do tradicional Liceu do Ceará.

Bezerra queria tornar-se médico, mas o pai, que enfrentava dificuldades financeiras, não podia custear-lhe os estudos. Em 1851, aos 19 anos, tomou ele a iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe deram para ajudar na viagem.

No Rio de Janeiro, ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia.

Para poder estudar, dava aula de filosofia e matemática. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Em março de 1857, solicitou sua admissão no Corpo de Saúde do Exército, sentando praça em 20 de fevereiro de 1858, como cirurgião tenente.

Ainda em 1857, candidatou-se ao quadro dos membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória “Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento”, sendo empossado em sessão de 1º de junho. Nesse mesmo ano, passou a colaborar na “Revista da Sociedade Físico-Química”. 

Em 6 de novembro de 1858, casou-se com a Sra. Maria Cândida de Lacerda, que desencarnou no início de 1863, deixando-lhe um casal de filhos.

Em 1859 passou a atuar como redator dos “Anais Brasilienses de Medicina”, da Academia Imperial de Medicina, atividade que exerceu até 1861.

Em 21 de janeiro de 1865, casou-se, em segunda núpcias com Dona Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa, com quem teve sete filhos.

Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional. 

Foi justamente o respeito e o reconhecimento de numerosos amigos que o levaram à política, que ele, em mensagem ao deputado Freitas Nobre, seu conterrâneo e admirador, definiu como “a ciência de criar o bem de todos”. 

Elegeu-se vereador para Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1860, pelo Partido Liberal.

Quando tentaram impugnar sua candidatura, sob a alegação de ser médico militar, demitiu-se do Corpo de Saúde do Exército. Na Câmara Municipal, desenvolveu grande trabalho em favor do “Município Neutro” e na defesa dos humildes e necessitados.

Foi reeleito com simpatia geral para o período de 1864-1868. Não se candidatou ao exercício de 1869 a 1872.

Em 1867, foi eleito deputado-geral (correspondente hoje a deputado federal) pelo Rio de Janeiro. Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, com a subida dos conservadores ao poder, Bezerra dirigiu suas atividades para outras realizações que beneficiassem a cidade.

Em 1873, após quatro anos afastados da política, retomou suas atividades, novamente como vereador.

Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, foi novamente eleito à Câmara dos Deputados, representando o Rio de Janeiro, cargo que exerceu até 1885.

Neste período, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, que veio proporcionar-lhe pequena fortuna, mas que, por sua vez, foi também o sorvedouro dos seus bens, deixando-o completamente arruinado.

Em 1885, atingiu o fim de suas atividades políticas. Bezerra de Menezes atuou 30 anos na vida parlamentar. Outra missão o aguardava, esta mais nobre ainda, aquela de que o incumbira Ismael, não para o coroar de glórias, que perecem, mas para trazer sua mensagem à imortalidade.

O Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de crentes, a todos saciando na sua missão de consolador. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio.

Foram palavras do próprio Bezerra de Menezes, ao proceder a leitura de monumental obra: “Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim [...]. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos [...]. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença”.

Contribuíram também, para torná-lo um adepto consciente, as extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita. Em 1883, recrudescia, de súbito, um movimento contrário ao Espiritismo e, naquele mesmo ano, fora lançado por Augusto Elias da Silva o “Reformador”, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira e o periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da Silva consultava Bezerra de Menezes sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas. O venerável médico aconselhava-o a contrapor-se ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia. 

Bezerra não ficou, porém, no conselho teórico. Com as iniciais A. M., principiou a colaborar com o “Reformador”, emitindo comentários judiciosos sobre o Catolicismo.

Fundada a Federação Espírita Brasileira em 1884, Bezerra de Menezes não quis inscrever-se entre os fundadores, embora fosse amigo de todos os diretores e sobremaneira, admirado por eles.

Embora sua participação tivesse sido marcante até então, somente em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande público, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, em longa alocução, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da consoladora doutrina.

Daí por diante Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara Ismael. Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco de nossa doutrina por sobre as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana.

Presidente da FEB em 1889, ao espinhoso cargo foi reconduzido em 1895, quando mais se agigantava a maré da discórdia e das radicalizações no meio espírita, nele permanecendo até 1900, quando desencarnou. 

O Dr. Bezerra de Menezes foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, da Sociedade Físico-química, sócio e benfeitor da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, membro do Conselho do Liceu de Artes e presidente da Sociedade Beneficente Cearense.

Escreveu em jornais como “O Paiz”, redigiu “Sentinela da Liberdade”, os “Anais Brasilienses de Medicina”, colaborou na “Reforma”, na “Revista da Sociedade Físico-química” e no “Reformador”. Utilizava os pseudônimos de Max e Frei Gil.

O dicionarista J. J. F. Velho Sobrinho alinha extensa bibliografia de Bezerra de Menezes, relacionando para mais de quarenta obras escritas e publicadas.

São teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc.

Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11h30min., tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta.

Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela que nenhum médico queria; eram pessoas pobres, sem dinheiro para pagar consultas. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos visando a possibilitar a manutenção da família. A comissão fora presidida por Quintino Bocayuva.

Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Leon Denis, um dos maiores discípulos de Kardec:  “Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo”.

Fonte: Texto incluído nas obras que integram a Coleção Bezerra de Menezes, publicada pela FEB. Informativo Bezerra edição nº 51, segundo quadrimestre de 2021 - PR PRODUÇÕES

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ANTUSA - A MÉDIUM SURDA.

 “O TAPETE VERDE”


Estava em Uberaba. As dores que assolavam o corpo de Jerônimo eram lancinantes, quase insuportáveis. Ainda enxergava, mas a vitalidade lhe escapava lentamente. Um amigo, comovido diante de tanto padecimento, disse-lhe que iria buscar uma médium curadora de reconhecida dedicação.

Quando ela entrou, Jerônimo a viu. Pequena em estatura, simples na presença, imediatamente sentiu-se cativado por aquela figura singular. Era Antusa Martins. Surda, expressava-se por sinais e por palavras balbuciadas, pois não era muda. Seu primeiro gesto foi retirar um tapete vermelho que lhe cobria os pés. Em seguida, com sinais firmes e voz difícil, exprimiu-se. “Prefiro o verde”.

Aquela afirmação atingiu Jerônimo como uma revelação íntima. Ali não havia tapete verde algum. O tapete verde, seu predileto, ficara em Ituiutaba. Aquilo foi, para ele, uma prova irrefutável de sua mediunidade.

Antusa, por meio de gestos e de um linguajar singular, contou-lhe que já o conhecia. Disse que, todas as tardes, desdobrava-se espiritualmente e ia até sua casa, em Ituiutaba, acompanhada de Bezerra de Menezes, para aplicar-lhe passes. Nessas visitas, vira o tapete verde, que lhe ficara gravado na memória espiritual.

A partir desse encontro, Jerônimo nunca mais se afastou de Antusa. Costumava dizer que ela e Chico Xavier eram a sua força, o seu sustentáculo moral e espiritual. Referia-se a ela com ternura profunda, chamando-a de “um anjo em forma de mulher”.

Sempre que ia a Uberaba, fazia questão de visitá-la. O carinho de Antusa por ele era imenso, constante, silencioso e fiel. Ela afirmava que, havia muitos séculos, ela e Chico Xavier, juntos, tentavam socorrê-lo. A oportunidade, enfim, se concretizara por meio da dor, instrumento severo e, ao mesmo tempo, redentor.

Porque, quando a dor abre as portas da alma, a misericórdia encontra passagem e transforma sofrimento em caminho de elevação.

ANTUSA FERREIRA MARTINS

A MEDIUNIDADE QUE VIA ALÉM DA MATÉRIA.

Antusa Ferreira Martins figura entre as personalidades mediúnicas mais singulares do Espiritismo brasileiro. Sua existência foi marcada por uma abnegação silenciosa, por faculdades extraordinárias e por uma fidelidade absoluta à caridade, razão pela qual foi consagrada pela tradição popular como o “Chico de Saias” de Uberaba, não por comparação superficial, mas pela similitude moral, pelo serviço incessante e pela renúncia integral de si mesma em favor do próximo.

A TRAJETÓRIA DE ANTUSA FERREIRA MARTINS

INFÂNCIA. O SILÊNCIO E A VISÃO.

Nascida em 9 de setembro de 1902, em uma fazenda nos arredores de Uberaba, Minas Gerais, Antusa teve a infância abruptamente transformada por um episódio decisivo. Aos 4 anos, foi acometida por meningite, enfermidade que lhe suprimiu definitivamente a audição. Em decorrência dessa condição, não desenvolveu a fala, passando a viver em um mundo de silêncio absoluto.

Criada em ambiente católico tradicional, causava assombro e inquietação aos familiares ao relatar, por meio de gestos próprios e de uma linguagem intuitiva, que via pessoas desencarnadas circulando pela casa. Para Antusa, desde muito cedo, o mundo espiritual apresentava-se com a mesma concretude do mundo material, sem fronteiras perceptíveis entre ambos.

ADOLESCÊNCIA E O ENCONTRO COM EURÍPEDES.

Aos 15 anos, em 1917, sua família mudou-se para Sacramento, Minas Gerais. À época, a cidade destacava-se como um dos grandes polos do Espiritismo no Brasil, sob a orientação moral e intelectual de Eurípedes Barsanulfo.

Ao conhecer a jovem Antusa, Eurípedes reconheceu de imediato a natureza de suas faculdades e a missão que lhe estava confiada. Sob sua orientação direta, Antusa passou a trabalhar na Farmácia Homeopática, auxiliando na preparação de medicamentos e no atendimento aos necessitados. Esse período representou verdadeiro aprendizado espiritual, no qual suas faculdades foram educadas, disciplinadas e harmonizadas à luz da caridade e da humildade.

VIDA ADULTA. TRABALHO E CARIDADE.

Após o desencarne de Eurípedes Barsanulfo, Antusa retornou a Uberaba. Sua vida manteve-se austera e despojada. Sustentava-se por meio da confecção e venda de tapetes de crochê, atividade que realizava ao lado da irmã, Nice, sem jamais converter a mediunidade em meio de benefício pessoal.

Dedicou décadas ao atendimento fraterno de enfermos e aflitos, inicialmente na Comunhão Espírita Cristã, ao lado de Chico Xavier, e posteriormente em um galpão simples construído nos fundos de sua própria residência. Ali, sem aparato, sem publicidade e sem conforto material, exercia uma das mais impressionantes formas de assistência espiritual já registradas no movimento espírita nacional.

UMA MEDIUNIDADE QUE ATRAVESSAVA A MATÉRIA.

A mediunidade de Antusa manifestava-se de maneira ampla e profundamente impactante.

Clarividência orgânica. Possuía a rara capacidade de perceber o interior do corpo humano, descrevendo órgãos enfermos, tumores, inflamações e alterações orgânicas com precisão que frequentemente surpreendia médicos e pesquisadores. Tal faculdade manifestava-se sem qualquer conhecimento acadêmico de anatomia, evidenciando sua origem extrafísica.

Audição espiritual. Embora absolutamente surda no plano físico, Antusa mantinha comunicação clara e constante com os Espíritos benfeitores. Recebia orientações de seu protetor espiritual, identificado como Santo Agostinho, bem como de outros servidores do bem, entre eles Vicente de Paulo, demonstrando que a percepção espiritual independe dos sentidos corporais.

Cura espiritual e desdobramento. Realizava tratamentos intensos por meio da imposição de mãos e da manipulação fluídica. Há numerosos relatos de que, durante o sono, trabalhava em desdobramento, visitando hospitais e lares, prestando socorro espiritual e participando de intervenções terapêuticas no plano invisível.

Fenômenos de efeitos físicos. Detinha faculdades relacionadas à movimentação e ao transporte de objetos, bem como à condensação de fluidos para curas imediatas, sempre sob rigorosa disciplina moral e finalidade exclusivamente caritativa.

O OLHAR QUE TRANSPUNHA A MATÉRIA.

Imagine-se uma mulher de pequena estatura, vivendo em um universo onde o som jamais existiu. Para Antusa Ferreira Martins, o ruído do mundo físico era inexistente, mas o plano espiritual manifestava-se diante de seus olhos com intensidade, cores e formas incontornáveis.

Enquanto a medicina de seu tempo buscava compreender os mistérios do corpo humano por meios ainda incipientes, bastava-lhe um olhar para que a carne e os ossos se tornassem translúcidos como cristal. Não necessitava de instrumentos, diagnósticos laboratoriais ou imagens técnicas. Com naturalidade serena, indicava o ponto exato onde a dor se ocultava, como quem descreve uma paisagem familiar.

No silêncio de seu galpão modesto, entre ervas, preces e gestos compassivos, Antusa demonstrou que a limitação física pode converter-se em instrumento de elevação espiritual. Sua vida testemunhou que, para ouvir a alma humana, muitas vezes é preciso calar os sentidos do mundo, pois a visão mais profunda não nasce dos olhos do corpo, mas da lucidez do espírito fiel ao bem.

escrito por Marcelo Caetano Monteiro.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

CULTURARTE 316 - agosto de 2026 (segunda edição)

CULTURARTE 316
agosto de 2026 (segunda edição)



- ELAINE TELES: Conheça a terapeuta e escritora, escolhida MUSA OUTONO INVERNO 2026
-  A incrível história de LARISSA MOLINA psicóloga e pós-graduanda em neuropsicologia.
- Um texto incrível: O QUE EU PERDI ORANDO?

Tudo isso na segunda edição de agosto do Informativo CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica.










segunda-feira, 24 de agosto de 2026

24 DE AGOSTO, DIA DE SÃO BARTOLOMEU E OXUMARÊ


No dia 24 de agosto comemoramos a memória de São Bartolomeu Apóstolo, também identificado como Natanael no Evangelho de São João.

Bartolomeu recebeu de Filipe o convite para conhecer Jesus. Mesmo inicialmente desconfiado, foi ao encontro do Senhor e, ao reconhecê-Lo, declarou sua fé: “Vós sois o Filho de Deus; vós sois o Rei de Israel!”

Depois da morte e ressurreição de Jesus, Bartolomeu se dedicou à evangelização. De acordo com a tradição, anunciou a Palavra em diversas regiões do Oriente e sofreu o martírio na Armênia.

Que o exemplo de São Bartolomeu nos ensine a deixar de lado nossas dúvidas e a responder ao chamado de Cristo com fé e coragem.

São Bartolomeu, Apóstolo e mártir, rogai por nós!

OXUMARÉ

Representado pelo arco-íris, ele traz a diluição e renovação das coisas. É o orixá dos ciclos, do recomeço, da certeza de que depois da tempestade vem o sol. Ele dita o ritmo da vida. Oxumarê está na mudança do dia para a noite, e de volta para o dia. Ele está nas estações do ano, no desenvolvimento das células, nos padrões e repetições da vida e do universo. Sua irradiação dá aos seres a certeza de que os desafios devem ser vencidos com força e coragem, pois uma nova fase vai chegar.

"Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror." (Charles Chaplin)

Os filhos de Oxumarê

São pessoas que tendem à renovação e à mudança. Periodicamente mudam tudo na sua vida (de maneira radical): mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego; vivem rompendo com o passado e na busca de novas alternativas para o futuro, para cumprir o seu ciclo de vida: mutável, incerto, de substituições constantes.

São pessoas magras. Como as cobras, possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar.

São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar as suas riquezas.

São orgulhosas, exibicionistas, mas também generosas e desprendidas quando se trata de ajudar alguém. Extremamente ativas e ágeis, estão sempre em movimento e ação, não podem parar.

São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivos e não medem sacrifícios para alcançá-los.

A dualidade do Orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo ao outro sem a menor dificuldade.

Tendem à renovação e à mudança, vivem rompendo com o passado e na busca de novas alternativas para o futuro. Pacientes e obstinados na luta pelos seus objetivos, não medem esforços para alcançá-los. São extrovertidos, alegres, amáveis, criativos e curiosos.

Tornam-se apáticos, infelizes, fechados, sombrios, com tendência à autopunição.

(Fonte do texto 'Os filhos de Oxumarê': Instituto Cultural Sete Porteiras do Brasil)



sexta-feira, 21 de agosto de 2026

JESUS FOI AO UMBRAL RESGATAR JUDAS?

 O QUE DIZ A PSICOGRAFIA DE CHICO XAVIER?


Sim, de acordo com a literatura espírita psicografada por Chico Xavier, Jesus foi ao Umbral (região espiritual de sofrimento e trevas) em socorro de Judas Iscariotes logo após a crucificação.

​A Doutrina Espírita aborda essa temática trazendo uma perspectiva de profunda misericórdia, longe de qualquer condenação eterna.

​O Resgate de Judas na Visão da Espiritualidade

- O encontro nas trevas: O tema é tratado de forma emocionante em obras psicografadas por Chico Xavier — como no texto "Amor e Perdão", do espírito Maria Dolores (publicado no livro Coração e Vida), e em crônicas do espírito Humberto de Campos. Nesses relatos, revela-se que, durante os três dias em que esteve separado do corpo físico, Jesus não ascendeu de imediato às esferas celestes mais altas. Guiado pelo amor incondicional, Ele desceu às zonas umbralinas para resgatar Judas, que havia se suicidado após o remorso pela traição.

- A loucura e o esquecimento: Ao chegar às regiões inferiores, Jesus encontrou Judas profundamente obsidiado, amargurado, cego pelo desespero e mentalmente desequilibrado a ponto de nem sequer reconhecer o Mestre.

- O alívio e o sono reparador: Em vez de julgamento, o Cristo ofereceu acolhimento: demorou-se a afagá-lo e pacientemente o conduziu ao repouso, fazendo com que Judas pudesse adormecer e receber o tratamento necessário das equipes espirituais socorristas.

​O Destino e a Evolução de Judas

Séculos de expiação: Os espíritos esclarecem que o suicídio de Judas o submergiu em um longo período de sofrimento expiatório e reajuste consciencial nas esferas umbralinas.

Novas oportunidades: A literatura espírita elucida que o livre-arbítrio permitiu a Judas errar gravemente por suas ilusões de poder político em relação ao Messias, mas a justiça divina lhe assegurou o direito à reparação através de sucessivas reencarnações de aprendizado e dor, demonstrando que nenhum espírito está irrecuperável perante a lei do amor e do progresso.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

17 de agosto: Dia do Exú Tranca Rua

 CONHEÇA A HISTÓRIA DO EXÚ TRANCA RUA DE EMBARÉ 


“Se quiser me ver, suba no barranco Zé!

O homem é Tranca Rua de Embaré!”

– E é do Exú Tranca Rua de Embaré que irei falar hoje!

Esta entidade tão presente nos terreiros de umbanda e nas coroas de médiuns e consulentes, que atua de forma tão forte e irreverente nas nossas vidas e que gera tanta curiosidade por seu nome.

O QUE É EXÚ TRANCA RUA DE EMBARÉ?

O Exú Tranca Rua de Embaré é espírito cheio de força, vitalidade e luz, que atua na linha da esquerda como um Exú que remove más energias, ajuda no vencimento de lutas, no alcance de propósitos e no alcance de graças.

Como Exú Tranca Rua, ele tem o poder de abrir e fechar caminhos de seres encarnados ou não e, quando os seres desencarnados se encontram perdidos e sem Luz, trabalham para ele para reencontrar o seu caminho.

QUAL A HISTÓRIA DE TRANCA RUA DE EMBARÉ?

Seu nome, muito diferente por sinal, geralmente gera curiosidade. Certamente que existem muitas informações cruzadas por aí e, por ser um nome mais falado que escrito, não se sabe qual delas é a verdadeira sobre este Exú.

Mas uma história do Exú Tranca Rua de Embaré conta que, quando perguntado sobre a escrita correta de seu nome, esta entidade respondeu que Embaré se trata de uma árvore, já Imbaré foi o nome que o deram quando registrado erroneamente em uma de suas encarnações.

Na encarnação em questão, ocorrida por volta de 1730, o espírito nasceu de uma índia aos pés de uma árvore Embaré, dentre tantas outras que ladeavam uma fazenda ao sul do Mato Grosso, chamada Fazenda Embaré.

A fazenda pertencia aos patrões da mãe do garoto e esta veio a falecer 7 dias após seu nascimento. O casal de patrões, muito bondoso adotou o garoto, por ter muito apreço a sua mãe, e proporcionou a ele estudos de medicina na Europa.

Voltando a fazenda, após a morte de seus pais adotivos, exerceu a caridade como médico para os nativos indígenas que moravam nos arredores de sua fazenda e outras pessoas necessitadas, tornando-se o Doutor Embaré, ou ainda, o Sr Embaré.

Estes atos de caridade chamaram a atenção de outros fazendeiros e da coroa portuguesa, já que consultas médicas deveriam ser pagas e cobrados impostos que seriam enviados para a coroa.

Logo armaram uma emboscada para encurralar Seu Embaré, chamando-o a noite para atender um enfermo. Dois homens saltaram da árvore Embaré de onde o Dr havia nascido, e também, onde sua mãe havia sido enterrada.

Porém o Dr., logo conseguiu se esquivar da emboscada e deu a volta na árvore.

Após alguns segundos desaparecido, Seu Embaré voltou com uma aparição enorme, um homem do mesmo tamanho da árvore Embaré, agora como entidade tocada pelo Orixá Exú e sob o nome de Exú Tranca Rua de Embaré, colocando os malfeitores para correr.

Este Exú reencarnou ainda como mago, bruxo e feiticeiro em suas existências terrenas para ajudar com sua magia as pessoas que dela necessitam para realizar seus propósitos.

O Exú Tranca Rua de Embaré é geralmente muito respeitado no meio das pessoas de alto poder e riqueza pois foi através dele que os mesmos conquistaram tal prosperidade.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE TRANCA RUA DAS ALMAS E TRANCA RUA DE EMBARÉ?

O Exú Tranca Rua das Almas e o Exú Tranca Rua de Embaré são entidades completamente distintas, com existências e histórias distintas, tendo como semelhança apenas algumas características e a sua falange de trabalho.

Quando uma pessoa começa a despertar curiosidade por uma nova religião ou doutrina, é natural que comecem a surgir diversas dúvidas e que se crie confusões acerca de associações.

Mas a verdade é que quando falamos desses nomes estamos falando de dois espíritos únicos, como eu e você, que tiveram passagens terrenas, erros e acertos assim como nós, então atribuí-los a uma mesma figura não faz sentido.

O que os levou a carregar o mesmo nome são características de evolução e comportamento semelhantes, a falange em que trabalham, o tipo de trabalho que realizam e o fato de exercerem a caridade ajudando no processo evolutivo dos encarnados.

COMO AGRADAR O EXÚ TRANCA RUA DE EMBARÉ?

Existem vários elementos que podemos utilizar em oferendas e rituais para entrar na vibração de Tranca Rua de Embaré, alguns deles são:

*Defumações próprias para a entidade;

*Velas em número ímpar;

*Copos ou pratos de barro;

*Espada de Ogum (Espada de São Jorge).

*O melhor dia da semana para esta energia é a terça-feira.

Assim, esperamos que você tenha a honra de sentir a energia do Exú de Embaré agindo na sua vida, te trazendo prosperidade, abrindo os caminhos corretos e fechando os incertos e te ajudando a evoluir!

 Laroyê Exú Tranca Rua de Embaré!

Tranca Rua de Embaré é Mojubá

domingo, 16 de agosto de 2026

Obaluaê ou Omulú: conheça a história do Orixá celebrado em 16 de agosto (Dia de São Roque)

 Ligado à cura, à terra e aos ciclos da vida, Obaluaê ou Omulú é um dos Orixás mais reverenciados nas religiões de matriz africana


"Atotô Obaluaê". A saudação, de origem iorubá, pode ser algo como "silêncio para o grande Rei da Terra" e ajuda a revelar a importância de um dos Orixás mais reverenciados nas tradições de matriz africana. Ligado à terra, à saúde, às doenças, à cura e também à morte e à transformação, Obaluaê celebra-se em 16 de agosto.

Também chamado de Omolu, Omulú ou Xapanã, dependendo da tradição, o Orixá carrega uma simbologia marcada pelos ciclos da existência. Vida e morte, saúde e doença, começo e fim aparecem como partes de um mesmo movimento de transformação.

É importante destacar, porém, que não existe uma única maneira de compreender ou cultuar os Orixás. Religiões afro-brasileiras possuem diferentes vertentes, casas e tradições, e características, histórias, cores e rituais podem variar de acordo com cada uma delas.

Obaluaê e Omolu são o mesmo Orixá?

A resposta depende da tradição religiosa. Em algumas vertentes, Obaluaê e Omolu são manifestações da mesma divindade em diferentes momentos da vida. Obaluaê estaria relacionado à figura mais jovem, enquanto Omolu representaria sua manifestação mais velha.

Há também tradições que estabelecem diferenças entre os dois. Nesse entendimento, Obaluaê aparece relacionado principalmente à transformação e à evolução, enquanto Omolu está mais associado à morte e ao encerramento dos ciclos. Essa diversidade ajuda a compreender por que é possível encontrar diferentes histórias e características atribuídas a eles.

Em algumas formas de sincretismo religioso, Obaluaê relaciona-se a São Roque, enquanto Omolu aparece associado a São Lázaro. Essas correspondências, novamente, podem mudar conforme a tradição.

A história de Obaluaê

Os relatos sobre Obaluaê têm origem nas tradições africanas e transmitiram-se por diferentes gerações. Na cosmologia iorubá, sua figura está relacionada à terra, à cura e à proteção diante das enfermidades. Seu próprio nome ajuda a compreender essa ligação: Oláwàiye, em iorubá, carrega o sentido de "o rei que é senhor da terra".

Segundo uma das narrativas tradicionais, Omolu seria filho de Nanã e Oxalá e irmão de Oxumaré. Ele teria nascido com feridas e sido abandonado próximo ao mar. Posteriormente, teria sido acolhido por Iemanjá, que cuidou dele e lhe ensinou conhecimentos relacionados à cura e à superação das adversidades.

As marcas deixadas pelas feridas também aparecem como explicação para uma das imagens mais conhecidas do Orixá: o corpo coberto por palhas. A palha da costa, que forma uma espécie de manto sobre seu corpo, tornou-se um de seus principais símbolos. Outro elemento associado a Obaluaê é o Xaxará, objeto confeccionado com palha trançada.

Da África ao Brasil

A presença de Obaluaê nas religiões afro-brasileiras está diretamente relacionada à diáspora africana. Durante o período da escravidão, milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil e, com eles, chegaram diferentes culturas, saberes, línguas e crenças religiosas.

Diante da repressão às suas práticas espirituais, comunidades africanas buscaram maneiras de preservar suas tradições. Uma dessas estratégias foi o sincretismo religioso, processo pelo qual divindades africanas passaram a ser associadas a santos do catolicismo.

Foi nesse contexto que Obaluaê passou a ser relacionado, em determinadas tradições, a São Lázaro e São Roque (imagem abaixo), figuras católicas também ligadas ao sofrimento, às doenças e à proteção dos enfermos.

Ao longo do tempo, as religiões afro-brasileiras mantiveram e ressignificaram diferentes elementos dessas tradições, fazendo com que a devoção aos Orixás permanecesse viva no país.

Por que Obaluaê está relacionado à cura e às doenças?

Uma das principais características atribuídas a Obaluaê é justamente a relação com a saúde. Ele associa-se tanto às enfermidades quanto à capacidade de cura e de transformação. Essa aparente contradição faz parte de sua simbologia. O Orixá representa forças que lembram que saúde e doença, assim como vida e morte, fazem parte dos ciclos da existência.

De acordo com os itans - narrativas tradicionais africanas sobre os Orixás -, Omolu teria adquirido conhecimentos sobre os mistérios da vida e da morte. Por isso, sua presença também está associada ao respeito e ao silêncio. Sua saudação, "Atotô Obaluaê", expressa justamente essa reverência.

Por que a pipoca é associada a Obaluaê?

Entre os elementos mais conhecidos relacionados ao Orixá está a pipoca, presente em oferendas e rituais de determinadas tradições. Sua simbologia pode ser compreendida a partir da própria transformação do alimento. O milho, inicialmente duro, passa pelo calor e se modifica completamente até se tornar pipoca.

Por isso, ela aparece associada à ideia de transmutação e renovação. A imagem representa a capacidade de atravessar situações difíceis e sair delas transformado. Em algumas práticas religiosas, existe ainda o chamado banho de pipoca, ritual relacionado à limpeza, à cura e à renovação espiritual.

Quais são as cores e símbolos de Obaluaê?

As características atribuídas ao Orixá podem variar conforme cada casa e tradição religiosa. De maneira geral, aparecem entre suas cores o preto, o branco e o vermelho. A segunda-feira também costuma ser apontada como seu dia da semana, enquanto sua celebração acontece em 16 de agosto.

Entre as ervas relacionadas a Obaluaê estão pariparoba, mamona, cambará e canela-de-cachorro. Já a pipoca é um dos elementos mais conhecidos entre as oferendas associadas a ele. Nas representações, além das vestimentas de palha, o Xaxará é outro símbolo recorrente.

Obaluaê e os ciclos da vida

Talvez um dos aspectos mais marcantes da simbologia de Obaluaê esteja justamente na relação entre fim e recomeço. Sob essa perspectiva, vida e morte não aparecem simplesmente como forças contrárias. Elas integram um mesmo ciclo. Ao longo da existência, diferentes etapas chegam ao fim para que outras possam começar.

Essa ideia também está presente na transformação representada pela pipoca: algo precisa mudar sua forma para que outra possa surgir. É por isso que Obaluaê e Omolu aparecem relacionados não somente ao encerramento, mas também à renovação. Seus significados atravessam questões de saúde, espiritualidade, ancestralidade e transformação, lembrando que a existência é construída por ciclos - e que cada final também pode abrir espaço para um novo começo.