Deus, nosso Pai, CAMINHE pela minha casa e leve embora todas as minhas preocupações e doenças, e POR FAVOR, vigia e cura a minha família em nome de Jesus ... AMÉM

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A HISTÓRIA DE CHICO XAVIER

 


Ele tinha apenas cinco anos quando a mãe morreu. E o que aconteceu depois foi uma das histórias mais dolorosas e ao mesmo tempo mais extraordinárias que você já vai ler na vida.

Mas antes de te contar o que aconteceu naquele quintal debaixo das bananeiras, preciso que você saiba uma coisa. Esse menino se tornou um dos maiores médiuns que o Brasil já conheceu. Seu nome era Francisco Cândido Xavier. Chico Xavier.

Mas naquele dia de setembro de 1915, quando Dona Maria João de Deus desencarnou, ele era apenas um garotinho de cinco anos que acabara de perder a mãe. Um dos nove filhos que ficaram órfãos. E o pai, sem condições de criar todos sozinho, teve que tomar a decisão mais difícil da vida dele.

Entregar os filhos para outras pessoas criarem.

Chico foi entregue aos cuidados de Dona Rita de Cássia. Uma velha amiga da família. A madrinha do menino. Na época, todo mundo achou que tinha sido uma bênção. "Pelo menos ficou com a madrinha", diziam. "Pelo menos ficou com alguém conhecido."

Ninguém sabia o inferno que estava por vir.

Dona Rita sofria de algo que hoje chamaríamos de obsessão espiritual. Ela era tomada por fúrias inexplicáveis. Explosões de raiva por qualquer coisa. Um prato mal lavado. Um barulho qualquer. A forma como o menino olhava.

E quando a raiva vinha, vinha com violência.

Todo dia, várias vezes ao dia, o pequeno Chico apanhava. Varas de marmeleiro que deixavam a pele em carne viva. Marcas roxas que cobriam as costas, os braços, as pernas.

Mas o pior ainda estava por vir.

Porque Dona Rita inventou uma forma de tortura que até hoje me faz tremer só de escrever. Ela pegava garfos. Garfos comuns de cozinha. E enfiava as pontas na barriga do menino. Deixava ali. Dependurados. Enquanto o sangue escorria e a criança gritava de dor.

"Esse menino tem o diabo no corpo", ela repetia enquanto torturava. "Tem o diabo no corpo."

Chico chorava. Chorava tanto que ficava sem voz. Corria pro quintal pra ninguém ver. Se escondia debaixo das velhas bananeiras com os garfos ainda pendurados na carne sangrenta.

E foi ali, naquele quintal, sangrando e sozinho, que ele se lembrou de algo.

A mãezinha dele orava todos os dias. Ela tinha ensinado ele a fazer o Pai Nosso. A conversar com Jesus. Mas na casa da madrinha não havia oração. Não havia Deus. Só havia dor.

Então o menino, com cinco anos, coberto de sangue e marcas de surra, se ajoelhou debaixo das bananeiras. Juntou as mãozinhas tremendo. E começou a rezar a oração que a mãe tinha ensinado.

"Pai nosso que estais no céu..."

As lágrimas caíam misturadas com o sangue.

"Santificado seja o vosso nome..."

A dor no corpo era insuportável, mas ele continuou.

"Venha a nós o vosso reino..."

E quando terminou a oração, quando abriu os olhos...

Ela estava ali.

Dona Maria João de Deus. Sua mãe. Viva. Real. Ao lado dele.

Chico não pensou que era impossível. Não pensou que mãe estava morta há meses. Ele ainda não tinha aprendido as dúvidas dos adultos. Ainda não sabia que os mortos não voltam.

Ele só viu a mãe. E se jogou nos braços dela.

"Mamãe! Não me deixe aqui! Me leva com a senhora!"

A voz dele saiu desesperada, agarrado nela como quem se agarra à última tábua no meio do oceano.

Mas ela balançou a cabeça com tristeza. "Não posso, meu filho."

"Mas eu estou apanhando muito, mamãe! Todo dia! Ela enfia garfo na minha barriga!"

Maria João de Deus acariciou o rosto do filho. Limpou as lágrimas. Tocou nas feridas com uma ternura que só mãe tem. E disse algo que mudaria a vida daquele menino pra sempre.

"Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar."

Chico soluçou. "Mas a madrinha diz que eu tenho o diabo no corpo."

A mãe sorriu. Um sorriso triste, mas cheio de amor. "Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa. E se você não reclamar mais, se você tiver paciência, Jesus vai ajudar para que a gente fique sempre juntos."

E então ela desapareceu.

O menino gritou. Chamou. Procurou debaixo de cada árvore. Mas ela tinha ido embora.

Algo mudou naquele dia.

No dia seguinte, quando Dona Rita pegou as varas e começou a bater, Chico não chorou. Recebeu cada golpe em silêncio. Quando ela enfiou os garfos na barriga dele, ele não gritou. Apenas fechou os olhos e pensou na mãe.

"Esse menino ficou cínico", Dona Rita dizia exasperada. "Nem chorando mais ele tá. Nem a pescoção ele chora."

O pessoal da casa começou a dizer que Chico era um "menino aluado". Estranho. Diferente.

Mas eles não sabiam o segredo.

Todo dia, à tarde, depois de apanhar, depois de sangrar, Chico ia pro quintal. Se ajoelhava debaixo das bananeiras. Rezava o Pai Nosso com os olhos brilhantes e cheios de esperança.

E a mãe aparecia.

Todo santo dia.

Ela vinha. Conversava com ele. Curava as feridas da alma que nenhum remédio cura. Ensinava. Preparava.

Os anos de tortura continuaram. Mas Chico nunca mais chorou durante as surras. Porque ele sabia que cada dor, cada marca, cada gota de sangue era o preço do encontro com a mãe.

Ele preferia sangrar e vê-la do que viver sem dor e ficar sozinho.

Essa criança torturada, esse menino que sangrava em silêncio, esse garoto que os outros achavam "aluado", cresceu.

E se tornou Francisco Cândido Xavier. Chico Xavier. O maior médium espírita do Brasil. O homem que psicografou mais de 450 livros. Que consolou milhões de pessoas através de mensagens dos mortos. Que nunca cobrou um centavo. Que viveu na pobreza a vida inteira doando tudo que recebia.

Aquele menino de cinco anos sangrando debaixo das bananeiras aprendeu algo que poucos aprendem.

Que sofrimento não é castigo. É preparo.

Que dor não é abandono. É transformação.

Que às vezes Deus não tira a cruz. Mas envia anjos pra nos ajudar a carregá-la.

A mãe de Chico não pode salvá-lo das surras. Mas salvou ele de algo muito pior. Salvou ele do ódio. Da revolta. Do desespero.

Hoje, quando leio essa história, eu choro. Choro pelo menino que sofreu. Mas choro também de gratidão. Porque se ele não tivesse passado por isso, se ele não tivesse aprendido a se comunicar com o mundo espiritual através daquela dor toda, milhões de pessoas não teriam recebido o consolo que ele trouxe.

Quantas mães não receberam mensagens dos filhos mortos através das mãos dele?

Quantos filhos não receberam o perdão dos pais falecidos?


Quantas almas desesperadas não encontraram paz através das palavras que ele escreveu guiado pelos espíritos?

Chico Xavier transformou a própria dor no remédio para a dor dos outros.

E tudo começou debaixo de umas velhas bananeiras, com um menino de cinco anos sangrando, rezando, e reencontrando a mãe que a morte não conseguiu levar embora.

Porque amor de mãe não morre.

Amor de mãe atravessa dimensões.

Amor de mãe encontra formas impossíveis de continuar cuidando, protegendo, ensinando.

Mesmo quando o corpo já não está mais aqui.

Se essa história te emocionou, é porque você entende. É porque você sabe que existe amor que nem a morte consegue apagar.

E se você é mãe, saiba disso: seus filhos vão carregar você pra sempre. Na memória, no coração, e talvez, quem sabe, em momentos impossíveis de explicar, na presença real e viva do seu amor que nunca, nunca vai embora.