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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

CHICO: "De todos os espíritos que vi, nenhum brilhava tanto quanto um jovem soldado romano."

 


Chico costumava dizer que, entre todos os espíritos que teve a oportunidade de ver ao longo da vida, nenhum brilhava tanto quanto um jovem soldado romano.

Não era um apóstolo famoso.

Não era um líder conhecido.

Era um rapaz de apenas dezoito anos.

A história, segundo ele, lhe foi narrada por Emmanuel — mas não como quem conta um fato distante. Foi como se a cena tivesse sido projetada diante de seus próprios olhos.

Roma estava em alerta. Jesus havia desaparecido por alguns dias, e rumores corriam como fogo em palha seca. As autoridades queriam respostas. E quando o medo governa, qualquer suspeita vira sentença.

O jovem soldado foi acusado pelos próprios companheiros. Diziam que ele simpatizava com os seguidores do Nazareno. Que sabia onde Ele estava escondido. Que era cristão.

Traição.

Essa era a palavra que ecoava.

Levaram-no à presença da autoridade de plantão. Ele estava de pé, mãos presas, mas postura firme. Tinha a ousadia típica da juventude — não aquela insolência vazia, mas a coragem crua de quem ainda não aprendeu a negociar a própria consciência.

— Onde está Jesus? — perguntou o oficial, com voz dura. — Você sabe. Diga logo onde Ele se escondeu.

O silêncio pairou por um segundo.

Quem já viu um jovem de dezoito anos diante da morte sabe: há um brilho especial nos olhos de quem ainda acredita que a verdade vale mais que a própria vida.

E ele respondeu, sem hesitar:

— Queres encontrar Jesus? Ele está aqui… no meu coração.

Não houve debate.

Não houve segunda chance.

A autoridade, tomada por ira e desprezo, cuspiu a ordem que atravessaria séculos:

— Ah, é? Então arranquem-lhe o coração.

Ali mesmo.

Sem julgamento formal.

Sem misericórdia.

Os próprios colegas executaram a sentença. Uma lâmina. Um corpo jovem. Um grito que mal teve tempo de ecoar.

Ele caiu.

O coração arrancado.

O corpo inerte no chão.

Fim.

Ou pelo menos era o que todos pensavam.

Quando Emmanuel contou essa cena a Chico, algo extraordinário aconteceu.

O médium relatava que, de repente, ficou cego dentro do próprio quarto. Não enxergava nada. A escuridão era total.

Assustado, tentou entender o que estava ocorrendo.

E então percebeu.

Não era ausência de luz.

Era excesso.

O jovem soldado estava ali.

De pé.

Não como vítima.

Não como mártir ensanguentado.

Mas como um ser de luminosidade indescritível.

Do peito — exatamente do lugar onde o coração fora arrancado — irradiava uma claridade dourada tão intensa que Chico precisou fechar os olhos. Ele contou que aquela luz atravessava as paredes. Curioso, aproximou-se da janela.

E viu o quarteirão inteiro iluminado.

Não era metáfora.

Não era imaginação poética.

Era como se o sacrifício tivesse se transformado em sol.

Chico dizia, com lágrimas, que nunca tinha visto espírito mais iluminado. Não por ter sofrido. Não por ter morrido jovem.

Mas porque havia sustentado a verdade até o último segundo.

Arrancaram-lhe o coração físico.

E revelaram o coração espiritual.

Agora, aqui está o ponto que vira tudo de cabeça para baixo.

A autoridade acreditou que, destruindo o órgão, destruiria a fé.

Mas a fé não estava na carne.

Estava na consciência.

Ao tentar silenciar uma convicção, eles a eternizaram.

Ao arrancar o coração, abriram uma fonte de luz.

Quantas vezes, hoje, a gente arranca o próprio coração aos poucos?

Por medo.

Por conveniência.

Para caber em expectativas.

Aquele jovem não negociou.

Ele não tentou sobreviver com meia-verdade. Não apontou outro nome. Não fingiu ignorância.

Ele poderia ter dito qualquer coisa. Poderia ter salvo a própria vida.

Mas escolheu guardar o que acreditava — não como discurso, mas como morada.

E talvez seja isso que torna essa história tão desconcertante.

A luz que Chico viu não nasceu da violência.

Nasceu da coerência.

Há quem viva décadas sem brilhar.

E há quem, em dezoito anos, incendeie a própria eternidade.

Arrancaram-lhe o coração.

E foi ali, no espaço vazio que deixaram, que a luz encontrou passagem.