A Vida
Não é necessário que a morte abra as portas de tribunais supremos para que o homem seja julgado em definitivo.
A vida faz a análise todos os dias e a luta é o grande movimento
seletivo, através do qual observamos diversas sentenças a se
evidenciarem nos variados setores da atividade humana.
A moléstia julga os excessos;
A exaustão corrige o abuso;
A dúvida retifica a leviandade;
A aflição reajusta os desvios;
O tédio pune a licença;
O remorso castiga as culpas;
A sombra domina os que fogem à luz;
O isolamento fere o orgulho;
A desilusão golpeia o egoísmo;
As chagas selecionam as células do corpo.
Cada sofrimento humano é aresto do Juízo Divino em função na vida contingente da Terra.
Cada criatura padece determinadas sanções em seu campo de experiência.
Compreendendo, a justiça imanente do Senhor, em todas as circunstâncias e
em todas as coisas, atendamos à sementeira do bem, aqui e agora, na
certeza de que, segundo a palavra do Mestre, cada Espírito receberá os
bens e os males do Patrimônio Infinito da Vida, de conformidade com as
próprias obras.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Taça de Luz
.......
Abençoa e Segue
Fita a caravana de companheiros que renteiam contigo, na via pública, e
reconhecerás na face de cada um, quase sempre, apreensões e desgostos, a
te pedirem simpatia e compreensão.
O cavalheiro bem posto, que passa no carro de luxo, talvez esteja
seguindo ao encontro de credores implacáveis, cujas exigências lhe
amargam os dias. A dama que surge, causando admiração pelos dotes de
elegância e beleza, possivelmente, estará suportando espinhoso fardo de
inquietações.
O atleta que aplaudes, partilhando o delírio da multidão, em muitos
casos, terá sofrido inesperada perda afetiva e, embora apareça sorrindo,
muitas vezes, tem o íntimo embraseado de angústia.
E aquela própria criança inteligente e robusta que observas sob a tutela
de alguém, talvez esconda consigo a dor de haver perdido o pai que a
trouxe ao mundo.
Na apreciação acerca de alguém ou no exame de situações determinadas,
usa a misericórdia, a fim de que te vejas no caminho certo. Abençoa e
segue adiante. Na Terra, comumente, afrontada de condenações, sê a
presença da paz e o reconforto da benção.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
........
Acharás no Próprio Coração
Entrega a Deus os problemas que se te façam insolúveis, trabalha e caminha adiante.
Assim acharás no próprio coração a presença da paz, a irradiar-se de ti por fonte de amor e luz.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
..........
Afirmação
O Céu auxilia sempre
a quem trabalha
mas espera de quem trabalha
o auxílio possível
para todos aqueles
que ainda não descobriram
a felicidade de trabalhar.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
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A PAZ DO ÚLTIMO DIA
Já pensastes na paz do último dia na Terra?
Há, na alma prestes a regressar à sua eterna pátria, um mundo de sensações desconhecidas.
Nesses olhos nublados de pranto, num corpo lavado pelo copioso suor da
agonia, gangrenado e semi-apodrecido, onde os órgãos rebeldes, em
conflito, são centros das mais violentas e rudes dores, existe todo um
amontoado de mistérios indecifráveis para aqueles que ficam.
Nesses rápidos minutos, um turbilhão de pensamentos represa-se nesse
cérebro esgotado pelos sofrimentos... O Espírito, no limiar do túmulo,
sente angústia e receio; e, nos estertores de sua impotência, vê, numa
continuidade assombrosa de imagens movimentadas, toda a inutilidade das
ilusões da vida material. Todas as suas vaidades e enganos tombam
furiosamente, como se um ciclone impiedoso os arrancasse do seu íntimo, e
os que somente para esses enganos viveram sentem-se, na profundeza de
suas consciências, como se atravessassem um deserto árido e extenso;
todos os erros do passado gritam nos seus corações, todos os deslizes se
lhes apresentam, e nessa quietude aparente de uns lábios que se cerram
no doloroso ricto da morte, existem brados de blasfêmia e desesperação,
que não escutais, em vosso próprio benefício.
Para esses Espíritos, não existe a paz do último dia. Amargurados e
desditosos, lançam ao passado o olhar e reflexionam: – “Ah! se eu
pudesse voltar aos tempos idos!...”
OS QUE SE DEDICAM ÀS COISAS ESPIRITUAIS
Nunca nos cansaremos de repetir que a existência no orbe terreno
constitui, para as almas mais ou menos evolvidas, um estágio de
aprendizado ou de degredo; junto desses seres sensíveis, vivem os
Espíritos retardados no seu adiantamento e aqueles que se encontram no
início da evolução. Para todos, porém, a luta é a lei purificadora. Os
que vivem com mais dedicação às coisas do Espírito, esses encontram
maiores elementos de paz e felicidade no futuro; para eles, que sofreram
mais, em razão do seu afastamento da vida mundana, a morte é um remanso
de tranquilidade e de esperança. Encontrarão a paz ambicionada nos seus
dias de lágrimas torturantes, e sociedades esclarecidas os esperam em
seu seio, para celebrarem dignamente os seus atos de heroísmo na tarefa
árdua de resistência às inúmeras seduções que a existência planetária
oferece.
AS ALMAS TORTURADAS
Quão triste, todavia, é a situação dos que no mundo se apegaram,
demasiadamente, às alegrias mentirosas e aos prazeres fictícios. Muitos
anos de dor os aguardam, nas regiões espirituais, onde contemplam
incessantemente os quadros do seu pretérito, em desoladoras visões
retrospectivas, na posse imaginária das coisas que os obsidiam. Amantes
do ouro, ali ouvem, continuadamente, o tilintar de suas supostas moedas;
ingratos, escutam os que foram enganados pelas suas traições; cenas
penosas se verificam e muitas almas piedosas se entregam ao mister de
guias e condutores desses Espíritos enceguecidos na ilusão e nos
tormentos. Só o amor dessas almas carinhosas permite que as esperanças
não desfaleçam, cultivando-as incessantemente no coração abatido e
desolado dos sofredores, a fim de que renasçam para os resgates
necessários.
A OUTRA VIDA
A vida no Além é também atividade, trabalho, luta, movimento. Se as
almas estão menos submetidas ao cansaço, não combatem menos pelo seu
aperfeiçoamento.
A lei das afinidades a tudo preside, entre os seres despidos dos
indumentos carnais, e, liberto o Espírito dos laços que o agrilhoavam à
matéria, recebe o apelo de quantos se afinam pelas suas preferências e
inclinações.
ESPÍRITOS FELIZES
Bem-aventurados todos aqueles que, ao palmilharem seus derradeiros
caminhos, encontram a alvorada da paz, luminosa e promissora; nos
celeiros da luz, recolhem o pão da verdade e da sabedoria, porque bem
souberam cumprir suas obrigações morais.
A sombra das árvores magnânimas que plantaram com os seus atos de
caridade, de fé e de esperança, repousam a cabeça dilacerada nos
amargores da Terra; divinas inspirações descem das Alturas sobre as suas
mentes, que iluminam como tabernáculos sagrados e, interpretando
fielmente as disposições da vontade diretora do Universo, transformam-se
em mensageiros do Altíssimo.
AOS MEUS IRMÃOS
Homens, meus irmãos, considerai a fração de tempo da vossa passagem pela
Terra. Observai o exemplo das almas nobres que, em épocas diferentes,
vos trouxeram a palavra do Céu na vossa ingrata linguagem; suas vidas
estão cheias de sacrifícios e dedicações dolorosas. Não vos entregueis
aos desvios que conduzem ao materialismo dissolvente. Olhando o vosso
passado, que constitui o passado da própria Humanidade, uma cruciante
amargura domina o vosso espírito: atrás de vós, a falência religiosa,
ante os problemas da evolução, impele-vos à descrença e ao egoísmo;
muitos se recolhem nas suas posições de mando e há uma sede generalizada
de gozo material, com a perspectiva do nada, que a maioria das
criaturas acredita encontrar no caminho silencioso da morte; mas eis
que, substituindo as religiões que faliram, à falta de cultivadores
fiéis, ouve-se a voz do Espírito da Verdade em todas as regiões da
Terra. Os túmulos falam e os vossos bem - amados vos dizem das
experiências adquiridas e
das dores que passaram. Há um sublime conúbio do Céu com a Terra.
Vinde ao banquete espiritual onde a Verdade domina em toda a sua
grandiosa excelsitude. Vinde sem desconfianças, sem receios, não como
novos Tomés, mas como almas necessitadas de luz e de liberdade; não
basta virdes com o espírito de criticismo, é preciso trazerdes um
coração que saiba corresponder com sentimento elevado a um raciocínio
superior.
Outros mundos vos esperam na imensidade, onde os sóis realizam os
fenômenos de sua eterna trajetória. Dilatai vossa esperança, porque um
dia chegará em que, na Terra, devereis abandonar o exílio onde chorais
como seres desterrados. Que todos vós possais, no ocaso da existência,
contemplar no céu da vossa consciência estrelas resplandecentes da paz
que representará a vossa glorificação imortal.
Emmanuel (psicografia de Chico Xavier). Livro: Emmanuel.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
KARDEC E A ESPIRITUALIDADE
KARDEC E A ESPIRITUALIDADE
Todas as missões dignificadoras dos grandes vultos humanos são tarefas do Espírito. Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade, através da radiotelefonia. Apreciando, porém, o labor da inteligência humana, somos obrigados a reconhecer que nem todas essas missões têm naturalmente uma repercussão imediata e grandiosa no Mundo dos Espíritos.
Daí a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec. Suas atividades requisitaram a atenção do planeta e, simultaneamente, repercutiram nas esferas espirituais, onde se formaram legiões de colaboradores, em seu favor
Sua tarefa revelava ao homem um mundo diferente. A morte, o problema milenário das criaturas, perdia sua feição de esfinge. Outras vozes falavam da vida, além dos sepulcros. Seu esforço espalhava-se pelo orbe como a mais consoladora das filosofias; por isso mesmo, difundia-se, no plano invisível, como vasto movimento de interesses divinos.
Ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo. Este é de todos os tempos e situações da humanidade. Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã. Com esse título, conquistado a peso de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não morresse desesperado. E, contribuindo com a sua coragem, desde o primeiro dia de labor, organizaram-se nos Círculos da Espiritualidade os mais largos movimentos de cooperação e de auxílio ao seu esforço superior.
Legiões de amigos generosos da humanidade alistaram-se sob a sua bandeira cooperando na causa imortal. Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas dos homens, para que a ciência e a fé iniciassem a marcha da suprema união, em Jesus Cristo.
Não somente o orbe terrestre foi beneficiado. Não apenas os homens ganharam esperanças. O mundo invisível alcançou, igualmente, consolo e compreensão.
Os vícios da educação religiosa prejudicaram as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada. As ideias de um Céu injustificável e de um inferno terrível formaram a concepção do Espírito liberto, como sendo um ser esquecido da Terra, onde amou, lutou e sofreu.
Semelhante convicção contrariava o espírito de sequência da Natureza. Quem atendeu as determinações da morte, naturalmente, continua, além, suas lutas e tarefas, no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestido, mas a alma, senhora da Vida Imortal.
Essa realidade fornece uma expressão do grandioso alcance “da missão de Allan Kardec”, considerada no Plano Espiritual.
É justo o reconhecimento dos homens e não menos justo o nosso agradecimento aos seus sacrifícios “de missionário”, ainda porque apreciamos a atividade de um apóstolo sempre vivo.
Que Deus o abençoe.
O Evangelho nos fala que os anjos se regozijam quando se arrepende um pecador. (Lc) E a tarefa santificada de Allan Kardec tem consolado e convertido milhares de pecadores, neste mundo e no outro.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina de Luz
.........
EVANGELHO EM AÇÃO
Meus amigos, muita paz.
Nunca é demais salientar a missão evangélica do Brasil, na sementeira do espiritualismo moderno.
Em outros setores da evolução planetária, eleva-se a inteligência aos cumes da prosperidade material, determinando realizações científicas e perquirições filosóficas de vasto alcance, comprometendo, porém, a obra do sentimento santificante.
Em esferas outras, assinalamos a investigação de segredos cósmicos, na qual se transforma o homem no gênio destruidor da própria grandeza, alinhando canhões na retaguarda de compêndios valiosos e de comovedoras teorias salvacionistas, em todos os ângulos da política e da economia dirigidas.
No Brasil, contudo, ergue-se espiritualmente o ciclópico e sublime santuário do Cristianismo Redivivo.
Aqui a Doutrina Consoladora dos Espíritos perde as exterioridades fenomênicas para que o homem desperte à luz da Vida Eterna.
Aqui, o Evangelho em movimento extingue a curiosidade ociosa e destrutiva que se erige em monstro devorador do tempo, descortinando o campo de serviço pela fraternidade humana, sob o patrocínio do Divino Mestre.
É por isto que ao espiritista brasileiro muito se pede, (Ev) esperando-lhe a decisiva atuação no trabalho restaurador do mundo, porquanto na pátria abençoada do Cruzeiro a amplitude da terra se alia à sublimidade da revelação.
É necessário que em seus dadivosos celeiros de pão e amor se modifiquem as atitudes do crente renovado em Nosso Senhor Jesus, a fim de que o pensamento das Esferas Superiores se expanda livre e puro, nos círculos da inteligência encarnada, concretizando a celeste mensagem de que os novos discípulos são naturalmente portadores.
Não basta, portanto, apreender o contingente de consolações do edifício doutrinário ou receber a hóstia do conforto pessoal no templo sagrado que o Espiritismo Evangélico representa para quantos lhe batam às portas acolhedoras.
É imprescindível consagrar nossas melhores energias à extensão da fé vivificante que nos refunde e aperfeiçoa, à frente do futuro.
Semelhante edificação, todavia, não se expressará senão por intermédio de nosso próprio devotamento à causa da libertação humana, transformando-nos pelo esforço e pelo estudo, pelo trabalho e pela iluminação íntima, em hífens de amor cristão, habilitados à posição de instrumentos do Plano Superior.
O Espiritismo brasileiro congrega extensa caravana de servidores da renovação cultural e sentimental do mundo e complexas responsabilidades lhe revestem a ação com o Cristo.
Estendamos, assim, o serviço evangélico na intimidade da filosofia espiritualista, insculpindo em mós, antes de tudo, os princípios da doutrina viva e redentora de que nos constituímos pregoeiros.
Não cristalizemos, sobretudo, a tarefa que nos cabe à frente das exigências da Terra, refugiando-nos na expectativa inoperante, porque a ruína das religiões sectaristas provém da ociosidade mental em que se mergulham os aprendizes, aguardando favores milagrosos e gratuitos do Céu, com prejuízo flagrante da religião do dever bem cumprido na solidariedade humana, da qual depende a execução de qualquer sistema salvacionista das criaturas.
Acordemos, desse modo, as nossas forças profundas, colaborando no nível real de nossas possibilidades dentro da tarefa que nos cabe realizar, individualmente, no imenso concerto de regeneração da vida coletiva.
Enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar de felicidade isolada para nós mesmos.
Companheiros existem suspirando por um paraíso fácil, em que sejam asilados sem obrigações, à maneira de trabalhadores preguiçosos e exigentes que centralizam a mente nas noções do direito sem qualquer preocupação quanto aos imperativos do dever.
Esses, em geral, são aqueles que cuidam de conservar alva rotulagem, na planície das convenções terrenas, muita vez à custa do sofrimento e da dilaceração de almas inúmeras que lhes servem de degraus, na escalada às vantagens de ordem material e perecível, para despertarem, depois, infortunados e desiludidos, nos braços da realidade amargurosa que a morte descerra, invariável.
Nós outros, no entanto, não ignoramos que a Nova Revelação nos infunde energias renovadas ao coração e à consciência, com os impositivos de trabalho e responsabilidade no ministério árduo do aperfeiçoamento e sabemos, agora, que o homem é o decretador de suas próprias dores e dispensador das bênçãos que o cercam, de vez que a Lei de Justiça e Equilíbrio expressa em cada um de nós o resultado de nossa sementeira através do tempo.
É indispensável a nossa conversão substancial e efetiva ao Espírito do Senhor, materializando-lhe os ensinos e acatando-lhe os desígnios, onde estivermos, para que, na condição de servidores de um país extremamente favorecido, possamos conduzir o estandarte da reabilitação espiritual do mundo que se perde, rico de glórias perecíveis e mendigo de luz e de amor.
Esperando que a paz do Mestre permaneça impressa em nossas vidas, que devem traduzir mensagens cristalinas e edificantes de seu Evangelho Salvador, terminamos, invocando-vos a cooperação em favor do mundo melhor.
— Entrelacemos corações em torno da Boa Nova que nos deve presidir às experiências na atividade comum! Enquanto os discípulos distraídos se digladiam, desprezando, insensatos, a bênção das horas, ouçamos a voz do Senhor que nos compele à disciplina no serviço do bem, revelando-se, glorioso e dominante, em seus sacrifícios da cruz, aprendendo, finalmente, em companhia d’Ele que só o Amor é bastante forte para defender a vida, que só o Perdão vence o ódio, que somente a Fé renasce de todas as cinzas das ilusões mortas e que somente o Sacrifício Individual, em Seu Nome, é o caminho da ressurreição a que fomos chamados.
Unamo-nos, desse modo, não apenas em necessidades e dores para rogar o sustento e o socorro da Misericórdia Divina, mas estejamos integrados na fraternidade legítima, a fim de que não estejamos recebendo em vão as graças do Céu, convertendo nossas vidas em abençoadas colunas do templo Espiritual de Jesus na Terra, portadores devotados de sua paz, de sua luz, de sua confiança e de seu amor.
Realizem outros as longas incursões do raciocínio, através da investigação intelectual, respeitável e digna, no enriquecimento do cérebro do mundo. E aproveitando-lhes o esforço laborioso, no que possuem de venerável e santo, não nos esqueçamos do Evangelho vivo, em ação.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina de Luz
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Todas as missões dignificadoras dos grandes vultos humanos são tarefas do Espírito. Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade, através da radiotelefonia. Apreciando, porém, o labor da inteligência humana, somos obrigados a reconhecer que nem todas essas missões têm naturalmente uma repercussão imediata e grandiosa no Mundo dos Espíritos.
Daí a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec. Suas atividades requisitaram a atenção do planeta e, simultaneamente, repercutiram nas esferas espirituais, onde se formaram legiões de colaboradores, em seu favor
Sua tarefa revelava ao homem um mundo diferente. A morte, o problema milenário das criaturas, perdia sua feição de esfinge. Outras vozes falavam da vida, além dos sepulcros. Seu esforço espalhava-se pelo orbe como a mais consoladora das filosofias; por isso mesmo, difundia-se, no plano invisível, como vasto movimento de interesses divinos.
Ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo. Este é de todos os tempos e situações da humanidade. Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã. Com esse título, conquistado a peso de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não morresse desesperado. E, contribuindo com a sua coragem, desde o primeiro dia de labor, organizaram-se nos Círculos da Espiritualidade os mais largos movimentos de cooperação e de auxílio ao seu esforço superior.
Legiões de amigos generosos da humanidade alistaram-se sob a sua bandeira cooperando na causa imortal. Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas dos homens, para que a ciência e a fé iniciassem a marcha da suprema união, em Jesus Cristo.
Não somente o orbe terrestre foi beneficiado. Não apenas os homens ganharam esperanças. O mundo invisível alcançou, igualmente, consolo e compreensão.
Os vícios da educação religiosa prejudicaram as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada. As ideias de um Céu injustificável e de um inferno terrível formaram a concepção do Espírito liberto, como sendo um ser esquecido da Terra, onde amou, lutou e sofreu.
Semelhante convicção contrariava o espírito de sequência da Natureza. Quem atendeu as determinações da morte, naturalmente, continua, além, suas lutas e tarefas, no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestido, mas a alma, senhora da Vida Imortal.
Essa realidade fornece uma expressão do grandioso alcance “da missão de Allan Kardec”, considerada no Plano Espiritual.
É justo o reconhecimento dos homens e não menos justo o nosso agradecimento aos seus sacrifícios “de missionário”, ainda porque apreciamos a atividade de um apóstolo sempre vivo.
Que Deus o abençoe.
O Evangelho nos fala que os anjos se regozijam quando se arrepende um pecador. (Lc) E a tarefa santificada de Allan Kardec tem consolado e convertido milhares de pecadores, neste mundo e no outro.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina de Luz
.........
EVANGELHO EM AÇÃO
Meus amigos, muita paz.
Nunca é demais salientar a missão evangélica do Brasil, na sementeira do espiritualismo moderno.
Em outros setores da evolução planetária, eleva-se a inteligência aos cumes da prosperidade material, determinando realizações científicas e perquirições filosóficas de vasto alcance, comprometendo, porém, a obra do sentimento santificante.
Em esferas outras, assinalamos a investigação de segredos cósmicos, na qual se transforma o homem no gênio destruidor da própria grandeza, alinhando canhões na retaguarda de compêndios valiosos e de comovedoras teorias salvacionistas, em todos os ângulos da política e da economia dirigidas.
No Brasil, contudo, ergue-se espiritualmente o ciclópico e sublime santuário do Cristianismo Redivivo.
Aqui a Doutrina Consoladora dos Espíritos perde as exterioridades fenomênicas para que o homem desperte à luz da Vida Eterna.
Aqui, o Evangelho em movimento extingue a curiosidade ociosa e destrutiva que se erige em monstro devorador do tempo, descortinando o campo de serviço pela fraternidade humana, sob o patrocínio do Divino Mestre.
É por isto que ao espiritista brasileiro muito se pede, (Ev) esperando-lhe a decisiva atuação no trabalho restaurador do mundo, porquanto na pátria abençoada do Cruzeiro a amplitude da terra se alia à sublimidade da revelação.
É necessário que em seus dadivosos celeiros de pão e amor se modifiquem as atitudes do crente renovado em Nosso Senhor Jesus, a fim de que o pensamento das Esferas Superiores se expanda livre e puro, nos círculos da inteligência encarnada, concretizando a celeste mensagem de que os novos discípulos são naturalmente portadores.
Não basta, portanto, apreender o contingente de consolações do edifício doutrinário ou receber a hóstia do conforto pessoal no templo sagrado que o Espiritismo Evangélico representa para quantos lhe batam às portas acolhedoras.
É imprescindível consagrar nossas melhores energias à extensão da fé vivificante que nos refunde e aperfeiçoa, à frente do futuro.
Semelhante edificação, todavia, não se expressará senão por intermédio de nosso próprio devotamento à causa da libertação humana, transformando-nos pelo esforço e pelo estudo, pelo trabalho e pela iluminação íntima, em hífens de amor cristão, habilitados à posição de instrumentos do Plano Superior.
O Espiritismo brasileiro congrega extensa caravana de servidores da renovação cultural e sentimental do mundo e complexas responsabilidades lhe revestem a ação com o Cristo.
Estendamos, assim, o serviço evangélico na intimidade da filosofia espiritualista, insculpindo em mós, antes de tudo, os princípios da doutrina viva e redentora de que nos constituímos pregoeiros.
Não cristalizemos, sobretudo, a tarefa que nos cabe à frente das exigências da Terra, refugiando-nos na expectativa inoperante, porque a ruína das religiões sectaristas provém da ociosidade mental em que se mergulham os aprendizes, aguardando favores milagrosos e gratuitos do Céu, com prejuízo flagrante da religião do dever bem cumprido na solidariedade humana, da qual depende a execução de qualquer sistema salvacionista das criaturas.
Acordemos, desse modo, as nossas forças profundas, colaborando no nível real de nossas possibilidades dentro da tarefa que nos cabe realizar, individualmente, no imenso concerto de regeneração da vida coletiva.
Enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar de felicidade isolada para nós mesmos.
Companheiros existem suspirando por um paraíso fácil, em que sejam asilados sem obrigações, à maneira de trabalhadores preguiçosos e exigentes que centralizam a mente nas noções do direito sem qualquer preocupação quanto aos imperativos do dever.
Esses, em geral, são aqueles que cuidam de conservar alva rotulagem, na planície das convenções terrenas, muita vez à custa do sofrimento e da dilaceração de almas inúmeras que lhes servem de degraus, na escalada às vantagens de ordem material e perecível, para despertarem, depois, infortunados e desiludidos, nos braços da realidade amargurosa que a morte descerra, invariável.
Nós outros, no entanto, não ignoramos que a Nova Revelação nos infunde energias renovadas ao coração e à consciência, com os impositivos de trabalho e responsabilidade no ministério árduo do aperfeiçoamento e sabemos, agora, que o homem é o decretador de suas próprias dores e dispensador das bênçãos que o cercam, de vez que a Lei de Justiça e Equilíbrio expressa em cada um de nós o resultado de nossa sementeira através do tempo.
É indispensável a nossa conversão substancial e efetiva ao Espírito do Senhor, materializando-lhe os ensinos e acatando-lhe os desígnios, onde estivermos, para que, na condição de servidores de um país extremamente favorecido, possamos conduzir o estandarte da reabilitação espiritual do mundo que se perde, rico de glórias perecíveis e mendigo de luz e de amor.
Esperando que a paz do Mestre permaneça impressa em nossas vidas, que devem traduzir mensagens cristalinas e edificantes de seu Evangelho Salvador, terminamos, invocando-vos a cooperação em favor do mundo melhor.
— Entrelacemos corações em torno da Boa Nova que nos deve presidir às experiências na atividade comum! Enquanto os discípulos distraídos se digladiam, desprezando, insensatos, a bênção das horas, ouçamos a voz do Senhor que nos compele à disciplina no serviço do bem, revelando-se, glorioso e dominante, em seus sacrifícios da cruz, aprendendo, finalmente, em companhia d’Ele que só o Amor é bastante forte para defender a vida, que só o Perdão vence o ódio, que somente a Fé renasce de todas as cinzas das ilusões mortas e que somente o Sacrifício Individual, em Seu Nome, é o caminho da ressurreição a que fomos chamados.
Unamo-nos, desse modo, não apenas em necessidades e dores para rogar o sustento e o socorro da Misericórdia Divina, mas estejamos integrados na fraternidade legítima, a fim de que não estejamos recebendo em vão as graças do Céu, convertendo nossas vidas em abençoadas colunas do templo Espiritual de Jesus na Terra, portadores devotados de sua paz, de sua luz, de sua confiança e de seu amor.
Realizem outros as longas incursões do raciocínio, através da investigação intelectual, respeitável e digna, no enriquecimento do cérebro do mundo. E aproveitando-lhes o esforço laborioso, no que possuem de venerável e santo, não nos esqueçamos do Evangelho vivo, em ação.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
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PENSAMENTOS DE EMMANUEL
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Utilize seus recursos
Utilize seus recursos
A maioria dos homens não vive em paz.
Estar em paz não significa apenas não fazer parte de uma guerra.
Muitas vezes não há atritos visíveis com os semelhantes, mas a criatura permanece sem sossego.
A paz interior consiste em uma harmonia preciosa e constante.
Quem desfruta desse tesouro convive bem consigo mesmo.
Por mais que enfrente dificuldades na vida, seu íntimo permanece tranqüilo.
O homem pacificado não necessita inventar distrações.
A percepção de seu mundo interior não o angustia.
A agitação da sociedade moderna evidencia quão poucos realmente desfrutam de paz.
As inovações tecnológicas gradualmente liberam o homem de tarefas repetitivas e tediosas.
Cada vez ele dispõe de mais tempo livre, mas não utiliza suas folgas para conhecer e cultivar o próprio caráter.
Na ânsia de conquistar coisas, multiplica desnecessariamente as horas de trabalho.
E nos raros momentos em que se permite ficar livre, procura distrações ruidosas e absorventes.
É como se o encontro com a própria alma fosse algo a ser evitado.
Sejam ricos ou pobres, bonitos ou feios, cultos ou iletrados, os homens procuram fugir de si próprios.
Mesmo quem reúne condições consideradas ideais para a felicidade raramente desfruta dessa situação.
As criaturas enfrentam torturas íntimas, ansiedades e complexos aparentemente injustificados.
Por mais que a vida siga tranqüila, a ausência de paz permanece.
A questão é que a verdadeira paz pressupõe a consciência tranqüila.
E tranqüilidade de consciência só tem quem está em harmonia com as leis divinas.
Todos os homens já viveram inúmeras vidas, em sua jornada pelo infinito.
Foram criados ignorantes e simples e se destinam à mais elevada sabedoria.
Para crescer em entendimento e compreensão, encarnam inúmeras vezes, em diferentes situações.
Objetivando aprender a discernir o certo do errado, dispõem da liberdade de agir.
Contudo, respondem por tudo o que fazem.
A lei humana é falha e muitos equívocos são por ela ignorados.
Mas na consciência de cada ser encontram-se registrados todos os seus atos.
Maldades cometidas contra os irmãos podem ter sido bem escondidas no passado.
Mas quem se permitiu viver o mal mantém em seu íntimo a marca da desarmonia.
Ocorre que toda vivência, mesmo marcada pelo erro, deixa a herança da experiência.
De cada refrega o homem sai amadurecido.
A cada vida ele cresce em entendimento e possibilidades.
O importante é aprender a utilizar no bem os recursos adquiridos.
Em sua primeira epístola, o apóstolo Pedro afirma: "o amor cobre a multidão de pecados".
Os erros fazem parte do processo de aprender.
Mas apagá-los mediante o amor bem vivido propicia paz e harmonia.
Assim, utilize seus recursos no bem. Contabilize todos os tesouros que você amealhou no decorrer dos séculos:
Inteligência,
sensibilidade, aptidão para falar ou escrever, habilidades as mais
diversas. Empregue tudo isso na construção de um mundo melhor.
Ao utilizar amorosamente
seus talentos, você estará cumprindo a tarefa que lhe cabe no concerto
da criação. E uma sublime paz habitará seu coração.
Pense nisso.
Vencer o sofrimento do corpo e da Alma
Vencer o sofrimento do
corpo e da Alma
Paiva Netto
Geralmente,
fundam-se instituições tendo em vista aqueles que necessitam de bens materiais,
destituídos daquilo que os olhos penosamente testemunham. Todavia, o
padecimento das gentes vai muito além do que se comprova na triste visão da
pobreza humana. A dor não se encontra apenas nos barracos, nos mocambos, nos
charcos, nos dias e madrugadas em que a LBV, ininterruptamente, levanta os
mendicantes com a Ronda da Caridade* (socorrendo o povo há mais de cinquenta
anos). As angústias também estão, e ferozes, nas mansões, nos apartamentos de
luxo, nos palácios, onde o Amor nem sempre habita. E não há maior sofrimento do
que a ausência dele.
Clamando
por tranquilidade d’alma
Lá, nos
ambientes requintados, há igualmente mães que choram a incompreensão dos filhos
e filhos que sofrem o abandono dos pais; casais que não se compreendem;
enfermos cercados de atenções médicas, mas sem a sustentação dos corações que
mais amam (...). Todos enfrentamos problemas. Todos! Se o drama não é
estritamente pessoal, padece-se por alguém muito querido. Um mundo de
paradoxos, de contrastes impensáveis. Em última análise, somos simples seres falíveis,
clamando por tranquilidade d’alma; instintivamente anelando a concórdia, aliada
ao conhecimento da Verdade, de preferência a Divina. Jesus, o Amigo que não
abandona amigo no meio do caminho, possui capacidade para iluminar o íntimo das
criaturas. Ensinava Alziro Zarur (1914-1979): “Nenhum sofrimento é vão, nenhuma
lágrima se perde. A vida humana é apenas uma preparação para a Verdadeira Vida.
Não há um pranto sequer que Deus não veja. E quem não chora a sua lágrima
secreta? O Pai Celestial guarda-as para toda a Eternidade”. As dos pobres e as
dos ricos, pois o que importa, numa sociedade realmente solidária, é o ser
humano!
No
Evangelho segundo Mateus, 11:28, e consoante João, 15:5 e 14:18, o Cristo
generosamente nos convida: “Vinde a mim todos vós, que estais exaustos e
oprimidos, e vos darei lenitivo. Eu sou a árvore, vós sois os ramos. Nada
podereis fazer sem mim. Não vos deixarei órfãos”.
O
conforto espiritual no Apocalipse
E essa
consolação nos fortalece neste momento em que a violência campeia livre pelo
mundo.
Algumas
pessoas não sabem, mas o Apocalipse (não o confundir com previsões de fim de
ano nem com Nostradamus) do mesmo modo oferece alento aos que o analisam sem
ideias preconcebidas, as quais não soam bem ao pensamento libertário da era em
que vivemos. Ele anuncia, para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir, o
mais glorioso acontecimento de todos os tempos da História — a Volta de Jesus.
Por que não?! Victor Hugo (1802-1885) costumava lembrar que quem hoje afirma
que algo é impossível tacitamente se coloca do lado dos que vão perder. No
Livro da Revelação, 2:10 e 22:12, o Divino Senhor conforta: “Não temas as
coisas que tens de sofrer. (...) Sê fiel até à morte, e Eu te darei a coroa da
Vida. (...) Comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo
as suas obras”.
É
indispensável, portanto, orar e vigiar, mormente nas ocasiões de crise,
qualquer que seja o local ou o instante. A dor não aguarda oportunidade para
bater à porta do coração. E a prece não é somente útil nos transes dramáticos
da vida, mas essencial na hora de buscar as soluções para os desafios de ordem
filosófica, política, econômica, científica, religiosa, artística, esportiva
etc.
Orar =
meditar
Orar e
meditar assemelham-se. Ser humilde, perante a Verdade, é conduta
imprescindível. Assim pensava o ilustre professor e missionário metodista Eli
Stanley Jones (1884-1973), que permaneceu largo período de sua vida na Índia e
visitou várias vezes o Brasil: “A humildade é a essência da Criação Divina. A primeira
providência para o encontro com Deus é liquidar com o orgulho. Quando a
pretensão termina, o poder tem início”.
Convém
igualmente recordar esta advertência de Confúcio (551-479 a.C.): “Pague a
Bondade com a Bondade, mas o mal com a Justiça”.
É oportuno,
porém, destacar que o mestre de Mêncio não falava de revanche, mas de Justiça.
A Oração
Ecumênica de Jesus
A vocês,
prezados leitores, pois, dedicamos a admirável rogativa que Jesus nos legou,
como um convite à reflexão nos momentos de angústia. Nunca é demais elevar o
pensamento e o coração ao Altíssimo. A Prece que o Cristo ensinou, clara,
concisa e prática, é perfeita para todos os instantes da vida, na alegria ou na
tristeza, mormente agora, num mundo em que tudo acontece com velocidade espantosa.
Todos podem rezar o Pai-Nosso. Ele não se encontra adstrito a crença alguma,
por ser uma oração universal, consoante o abrangente Espírito de Caridade do
Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Qualquer pessoa, até mesmo ateia (por que
não?!), pode proferir suas palavras sem sentir-se constrangida. É o filho que
se dirige ao Pai, ou é o ser humano a dialogar com a sua elevada condição de
criatura vivente. Trata-se da Prece Ecumênica por excelência:
“Pai
Nosso (ou diria o Irmão Ateu, ó minha consciência que paira na altitude do meu
ideal!), que estais no Céu (e em toda parte ao mesmo tempo), santificado seja o
Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino (de Justiça e de Verdade). Seja feita a
Vossa Vontade (jamais a nossa vontade) assim na Terra como no Céu. O pão nosso
de cada dia dai-nos hoje (além daquele que sustenta o corpo, necessitamos do
transubstancial, a comida que não perece, o alimento para que o Espírito não
esmoreça). Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos
ofensores. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque
Vosso é o Reino, e o Poder, e a Glória para sempre. Amém!”
Que a Paz
de Deus esteja agora e sempre com todos nós.
José de
Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
JAMAIS APOSENTAR-SE DA VIDA
Jamais aposentar-se da vida
Paiva Netto
Vinte e seis de julho é o Dia dos Avós. Por oportuno, apresento-lhes trechos de meu editorial na 24ª edição da Revista LBV
(Jan-Fev de 1992), publicado anteriormente na década de 1980, pela “Folha de S.Paulo”.
Vivemos
época de constante progresso material. Entretanto, não se verifica o
correspondente avanço no campo da ética e do
Espírito. Resultado: males como a fome, a violência e o desrespeito à
Natureza perduram. E lamentavelmente as pessoas da terceira idade também
são atingidas pela frieza dos sentimentos humanos.
É verdadeiro crime não se reconhecer o valor dos Irmãos idosos. Neste período da vida, mais do que nunca se fazem merecedores
do carinho e da solidariedade dos mais moços, num justo reconhecimento à contribuição que legaram à sociedade.
Na
LBV não acreditamos em velhice como sinônimo de coisa deteriorada.
Ninguém é velho quando tem um bom e grande Ideal. Pode
não mais carregar um piano, não mais passear de motocicleta. Se possui,
porém, ânimo dentro de si, é jovem. As pessoas a certa altura da vida
precisam, com raras exceções, aposentar-se de seus empregos, mas não o
devem fazer com relação à vida. Devem ir à luta
enquanto puderem respirar.
A
Legião da Boa Vontade mantém com o seu extenso trabalho de promoção
humana e social os Lares de amparo aos velhinhos. Neles
os vovôs e vovós são tratados com muito Amor e, o que é melhor, aprendem
que nunca é tarde para colaborar em prol de uma Humanidade mais feliz,
pois é a força dos bons exemplos que inspira as novas gerações a
vencerem os obstáculos da existência terrena.
Idade
não dá nem tira caráter a quem quer que seja. E tudo, independentemente
da idade biológica, pode corrigir-se, porque
o Cristo é o médico competente dos males do corpo e da Alma. Na LBV é
inumerável a juventude de cabelos brancos que vibra, constrói lado a
lado com aqueles que — também trazendo dentro de si mesmos o Ideal do
Amor de Deus pela Humanidade — são ainda jovens
no corpo. Aquele que ama o seu semelhante com o Amor do Cristo tem a
pujança e a força interior de Sua Eternidade.
Pode
parecer um paradoxo. Todavia, o país que desampara os seus idosos não
crê no futuro da sua mocidade. Que é a nação,
além de seus componentes? Havendo futuro, os moços envelhecerão. Viverão
mais. Contudo, também irão aposentar-se... Uma convicção arraigada do
gozo imediato das coisas é a demonstração da descrença no amanhã. E há
os que ainda moços pensam: “Vamos viver agora,
antes que tudo acabe! E os que conseguiram resistir tanto, que se
danem...“ Não há exagero algum aqui. É o que também se vê. Tem-se a
impressão de que alguns daqueles que desfrutam do vigor da juventude
ignoram a possibilidade de alcançar a decrepitude. Mas
poderão chegar lá... Não existe futuro sem moços. Também, não o há sem
os idosos.
Temos de aliar ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia dadivosa dos mais moços. (...)
Lutamos
por um mundo que ofereça oportunidades para todos. E isto não é
impossível. Impossível é continuar como está: a terrível
paisagem das almas ressequidas pela indiferença ao Amor de Deus, como os
ossos secos da visão do Profeta Ezequiel. O nosso planeta tem de
receber o sopro espiritual da Vida, pois é rico e muito amplo, com
espaço suficiente para todo mundo. Vovô, vovó, mamãe,
papai, professores... nós, seus netos, filhos e alunos, os amamos e
precisamos ter de vocês toda a experiência, todo o sentimento, todo o
carinhoso incentivo. E isto é essencial na Era do Apocalipse. Os tempos
chegaram.
José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br
— www.boavontade.com
DIA DOS PAIS E SEGURANÇA
Dia dos Pais e segurança
Paiva Netto
No próximo domingo (11/8), comemoramos
no Brasil o Dia dos Pais, cuja prioridade deve ser a de preparar devidamente
seus filhos para o porvir, pavimentando para eles uma era melhor. Por isso,
convido-os a refletirmos juntos sobre alguns relevantes pontos.
A crescente violência urbana, a irresponsabilidade
no trânsito, que segue multiplicando vítimas, as relações fragilizadas entre determinados
países, a fome em muitas partes do planeta, enfim, esses e outros fatores indicam
que se deve repensar atitudes e providências na construção cotidiana da paz global.
Na nova edição do meu livro “Cidadania
do Espírito”, ainda nos originais, comento que, em certos
casos, o fim da guerra fria em pouco ou nada arrefeceu rancores e ódios humanos, sociais, políticos, econômicos, religiosos. O 32º
presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano
Roosevelt (1882-1945), em 5 de setembro de 1939, após a lamentável
irrupção da Segunda Guerra Mundial — que ocorreu em 1º
de setembro, com a invasão da Polônia pelas
tropas alemãs de Adolf Hitler (1889-1945) —, dirigiu-se ao povo norte-americano
em discurso transmitido pelo rádio, destacando:
“Quando a paz é quebrada em qualquer lugar, a paz de todos os países de todos os lugares é
ameaçada”.
Conforme escrevi em “Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa
Vontade” (1987) e também na “Folha
de S.Paulo”, em 11 de dezembro de
1988, o combate à violência no mundo começa na luta contra a indiferença à
sorte do vizinho. Não sou pessimista, acredito
no futuro. Mas ainda há insegurança e
crueldade por toda a parte.
MAIORES
PREDADORES
Fala-se em Paz. Contudo, mensagem de expressivo sentido encontra-se na Primeira Epístola do
Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses, 5:3: “Quando andarem dizendo: ‘Paz, segurança!’, eis que lhes sobrevirá
repentina destruição, como vem a dor do parto àquela que está para dar à luz; e de nenhum
modo escaparão”.
Não estejamos nós contribuindo para a concretização desse quadro,
incluído o fato de que pela nossa ação diária somos os maiores predadores do
nosso lar coletivo, a Terra, e nisso se concentra o pior perigo. Temos de
interromper o emporcalhamento (Isaías, 24:1, 5
e 6) do que nos cerca e de, consequentemente,
destruir vidas. Uma sugestão aos que não têm medo de pensar: leiam, por favor,
os fraternos alertamentos do Evangelho e do
Apocalipse do Cristo Ecumênico sobre a transição
dos tempos, até mesmo “a Grande
Tribulação, como nunca houve, desde a fundação do mundo, nem jamais se repetirá”, de acordo
com a Sua advertência no Evangelho segundo Mateus, 24:3 a 28; Marcos, 13:3
a 23 e Lucas, 21:7 a 24.
AMOR E REPREENSÃO
As anomalias climáticas são justamente
grave anúncio sobre a realidade das admoestações do Professor Celeste no Novo
Testamento da Bíblia Santa. (...) Ora, quem adverte ama. Razão por que Jesus,
na Carta à Igreja em Laodiceia (Apocalipse, 3:14), declara: “Aqueles a quem amo, repreendo e castigo”.
Diante disso, o Livro das Profecias
Finais pode ser entendido como carinhosa e preocupada admoestação, por
conseguinte, um recado do Amor de Deus às Suas criaturas. Perseveremos nos
sublimes ensinamentos do Pai Celestial, os quais nos fortalecem para enfrentar
com bravura tempos de grande provação, fundamentando nossas esperanças no
Divino Criador, que nunca nos abandona. Lembremos sempre a assertiva do saudoso
fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979): “Não há segurança
fora de Deus”.
CORAÇÃO GENEROSO
Recentemente,
em São Paulo, o teólogo e professor Leonardo Boff lançou “Francisco de Assis
e Francisco de Roma: uma nova primavera na Igreja?”. Na obra, ele ressalta que “ser
Francisco de Assis corresponde à Tradição de Jesus Cristo e à exigência
evangélica. É a opção pela simplicidade e confraternização entre todos
os povos, a natureza e o planeta Terra”.
O distinto professor Boff mandou-me, com a generosidade de sempre, um exemplar com
esta dedicatória: “Para Paiva Netto, que sua mensagem de paz seja reforçada
pelo Papa Francisco”.
Comovido e
grato.
José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
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