Tem histórias que a política não consegue explicar.
E talvez esta seja uma delas.
Quando apresentei o projeto para incluir o Dia de Zé Pilintra no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro, eu sabia que não seria fácil. A resistência era grande. Em uma Câmara com maioria conservadora, muitos acreditavam que essa homenagem jamais seria aprovada.
Mas quem caminha com fé aprende que existem batalhas que não se vencem apenas com votos.
No dia da votação, aconteceu algo curioso. Justamente aqueles que pretendiam impedir a aprovação tiveram dificuldades para chegar à sessão a tempo. Cada um tire as suas próprias conclusões...
Eu apenas agradeci.
Porque quem conhece Zé Pilintra sabe que ele nunca ensinou o caminho da injustiça. Muito pelo contrário. Seu Zé representa a sabedoria das ruas, a proteção dos mais humildes, a inteligência diante das dificuldades e a coragem de abrir caminhos quando tudo parece fechado.
Antes de ser um símbolo da malandragem, é um símbolo da dignidade de um povo que aprendeu a sobreviver sem perder a elegância, a fé e a a esperança. Sua história, que nasce na tradição da Jurema e ganha enorme força na Umbanda, encontrou no Rio de Janeiro um dos seus maiores centros de devoção, tornando-se parte da própria identidade cultural da nossa cidade.
Por isso, essa lei nunca foi apenas sobre uma data.
Foi sobre reconhecer oficialmente aquilo que o povo de axé já sabia há muito tempo: a nossa fé faz parte da história do Rio de Janeiro. A cultura dos terreiros também ajudou a construir esta cidade. E nenhuma expressão de religiosidade deve ser invisibilizada ou tratada com menos respeito.
Hoje, ver o dia 7 de julho sendo celebrado em tantos terreiros me dá a certeza de que toda aquela luta valeu a pena.
Porque uma lei pode incluir uma data no calendário.
Mas o verdadeiro reconhecimento acontece quando um povo percebe que a sua história também passou a ocupar o lugar que sempre mereceu.
Salve Seu Zé.
Salve o povo da Malandragem.
E que nunca nos faltem coragem, sabedoria e jogo de cintura para seguir abrindo caminhos, enfrentando a intolerância e caminhando, sempre, com muito Orgulho do Nosso Axé.
Saravá, Seu Zé!



