VIVEREMOS SEMPRE
Se chorares a perda de entes queridos que te precedera, na Grande
Mudança; se te sentes à margem do desespero, perdendo a alegria de
viver; se mergulhas o próprio coração no poço da amrgura; se te
acreditas de alma atirada a um rio de lágrimas; se a ausência das
pessoas amadas te ensombra os horizontes do futuro; se te admites sem
coragem para facear as dificuldades e provações do presente; se te
acreditas sem força para suportar as obrigações que te ficaram nos
lances da existência; se julgas que a vida termina em cinza e poeira...
Levanta o próprio espírito para a fé em Deus, abraça os deveres que te
foram entregues pelos seres amados que partiram para o Grande Além,
honrando-lhes a memória e continua trabalhando e servindo na certeza de
que todos nós viveremos sempre...
Emmanuel (espírito)
Uberaba, 12 de março de 1993.
Da Obra Viveremos Sempre
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
ALEGRIA DE VIVER
Podem surgir sobre a Terra
Prova, desgosto e mudança,
Mas Deus jamais nos retira
A alegria da esperança
Espírito Auta de Souza
Psicogragia de Chico Xavier
SEGUE ADIANTE
Se você está triste ou tenso, resguarda-te, pois, em paz e deixa o tempo
transcorrer, porquanto ele conseguirá fazer amanhã o que hoje te parece
impossível conseguir.
Jesus, na montanha das Bem-aventuranças, ou no Getsémani, ou no Gólgota,
manteve a mesma paz, em razão da certeza de saber que Deus estava com
Ele, e, por conseqüência, Ele estava com Deus.
Paz é Deus na mente e no coração."
Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco
......
MORADAS
Manoel Philomeno de Miranda (espírito)
Certa estranheza invade muitos leitores e pessoas desinformados a
respeito da vida espiritual, quando tomam conhecimento da estrutura e
constituição do mundo parafísico, bem como da sociedade onde se
movimentam os sobreviventes ao túmulo.
Acostumados às notícias da teologia ortodoxa apresentada pelas religiões
que estabeleceram regiões estanques para os Espíritos, quando vencida e
superada essa crença armaram-se de cepticismo, às vezes
inconscientemente, em tomo da organização e do modus vivendi dos que se
libertaram do corpo, mas não saíram da Vida.
Um pouco de reflexão bastada para contribuir de maneira positiva em
favor do entendimento da vida e sua continuidade um passo além do
túmulo.
Na Terra mesma, interpenetram-se vibrações e movimentam-se incontáveis expressões de vida, sem que o homem disso se dê conta.
Ondas de freqüência variada cortam os espaços terrestres, carregadas de
mensagens somente percebidas quando necessariamente transformadas em som
e imagem por aparelhos especiais.
Raios de constituição diferente rompem os campos vibratórios em tomo do
planeta, auxiliando, estimulando e transformando os fenômenos biológicos
sem que se possa percebê-los, senão através dos seus efeitos ou quando
captados por equipamentos próprios.
A Vida espiritual não é, conforme alguns pensam, semelhante à física ou
cópia dela. Ocorre exatamente o contrário, sendo a terrena um símile
imperfeito daquela que é causal, preexistente e sobrevivente.
Liberada da matéria densa, a alma não se transfere para regiões excelsas de imediato.
Há toda uma escala de valores a conquistar.
Os Espíritos vivem fora do corpo em conglomerados próprios, em sociedade
mais harmônica ou mais atormentada, de acordo com o grau da evolução
que os reúne por automatismo da afinidade vibratória, que decorre da
identidade moral que os retém em campos de igual densidade de onda.
Sendo o pensamento a força criadora, é natural que este construa os
recintos para habitação e instale, em nome do Pai, programas de ação que
facultam os meios de crescimento para o Espírito, na direção dos mundos
felizes, cuja constituição superior a nós nos escapa.
Nas faixas mais próximas da Terra, a vida se apresenta semelhante ao que
se conhece no planeta, facilitando a adaptação para os recém-chegados e
propiciando mais fácil intercâmbio com aqueles que estão instalados na
matéria densa.
Conforme sucede no mundo objetivo, há uma escala de progresso cultura e
moral cujos valores partem das manifestações mais primárias até os
índices mais elevados.
Conseqüentemente, há núcleos que refletem as condições sócio-morais,
sócio-econômicas, sócio-culturais dos seus habitantes, desde choças e
fiarias até habitações saudáveis, belas e confortáveis...
As moradas do Além igualmente variam em densidade vibratória
correspondente àqueles que as vêm habitar, felizes e liberados, ou
noutras onde se demoram a dor, as misérias morais e as condições de
insalubridade, todas elas em caráter sempre transitórios.
Em todo lugar, todavia, apresenta-se a misericórdia e o socorro do Pai,
ao alcance de quem deseja progredir e ser ditoso, na faixa vibratória em
que estacione.
Igualmente, convém considerar que urbanistas e engenheiros, cientistas e
legisladores levam para a Terra as lembranças dos planos onde residiam e
a eles retomam, periodicamente, através do parcial desdobramento pelo
sono, acentuando lembranças que depois materializam em projetos e
edificações avançados.
A ascensão dos seres somente ocorre mediante conquistas intransferíveis
através do trabalho, método seguro para a aquisição da plenitude.
Movimentando, portanto, as energias cósmicas presentes no Universo, os
Espíritos plasmam os seus Círculos de realização, nos quais estagiam
entre uma e outra reencarnação, galgando Esferas que se apresentam em
graus de evolução quase infinita. '
"Na Casa do Pai - disse Jesus - há muitas mondas", não somente nos
astros luminíferos que gravitam nos espaços siderais, mas também, em
torno deles, como estações intermediárias entre uns e outros mundos que
pulsam nas galáxias, glorificando a Criação.
Retirado de Temas da Vida e da Morte, psicografado por Divaldo Franco.
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As habitações do planeta Júpiter
Revista Espírita, agosto de 1858
(pelo senhor Victorien Sardou)
Um grande motivo de espanto para certas pessoas, convencidas aliás da
existência dos Espíritos (não vou aqui me ocupar das outras), é que
tenham, como nós, suas habitações e suas cidades. Não me pouparam as
críticas: "Casas de Espíritos em Júpiter!... Que gracejo!..." - Gracejo,
se assim se o deseja; nada tenho com isso. Se o leitor não encontra
aqui, na verossimilhança de explicações, uma prova suficiente de sua
verdade; se não está surpreso, como nós, quanto ao perfeito acordo
dessas revelações espíritas com os dados mais positivos da ciência
astronômica; se não vê, numa palavra, senão uma hábil mistificação nos
detalhes que seguem e nos desenhos que os acompanham, convido-o a se
explicar com os Espíritos, dos quais não sou senão um instrumento e o
eco fiel. Que ele evoque Palissy ou Mozart ou um outro habitante dessa
morada bem-aventurada, que o interrogue, que controle minhas afirmações
pelas suas, enfim, que discuta com ele: porque, por mim, não faço senão
apresentar aqu
i o que me foi dado, senão repetir o que me foi dito; e para esse papel
absolutamente passivo, creio-me ao abrigo tanto da censura como também
do elogio.
Feita essa reserva, e uma vez admitida a confiança nos Espíritos, aceita
como verdade a única doutrina verdadeiramente bela e sábia que a
evocação dos mortos nos revelou até hoje, quer dizer, a migração das
almas de planetas em planetas, suas encarnações sucessivas e seu
progresso incessante pelo trabalho, as habitações de Júpiter não terão
mais motivo para nos espantar. Desde o momento em que um Espírito se
encarna em um mundo submetido, como o nosso, a uma dupla revolução, quer
dizer, à alternativa de dias e de noites e ao retorno periódico das
estações, do momento em que ele possui um corpo, esse envoltório
material, tão frágil que seja, não pede senão uma alimentação e roupas,
mas também um abrigo ou, pelo menos, um lugar de repouso,
conseqüentemente uma moradia. Com efeito, é bem o que nos foi dito. Como
nós, e melhor do que nós, os habitantes de Júpiter têm seus lares
comuns e suas famílias, grupos harmônicos de Espíritos simpáticos,
unidos no triunfo depois de sê-lo na
luta: daí as habitações tão espaçosas, as quais se pode aplicar, com
justiça, o nome de palácios. Ainda como nós, esses Espíritos têm suas
festas, suas cerimônias, suas reuniões públicas: daí certos edifícios
especialmente destinados a esses usos. É preciso prever, enfim,
encontrar nessas regiões superiores toda uma Humanidade ativa e
laboriosa, como a nossa, submetida como nós às suas leis, às suas
necessidades, aos seus deveres; mas com essa diferença de que o
progresso, rebelde aos nossos esforços, torna-se uma conquista fácil
para os Espíritos desligados, como eles o são, de nossos vícios
terrestres.
Não deveria me ocupar aqui senão da arquitetura das suas habitações, mas
para a própria inteligência dos detalhes que vão seguir, uma palavra de
explicação não será inútil. Se Júpiter não é abordável senão pelos bons
Espíritos, não se segue que seus habitantes sejam todos excelentes no
mesmo grau: entre a bondade do simples e a do homem de gênio, é
permitido contar muitas nuanças. Ora, toda a organização social desse
mundo superior repousa precisamente sobre essas variedades de
inteligências e de aptidões; e, em razão de leis harmoniosas, que seria
muito longo explicar aqui, aos Espíritos mais elevados, os mais
depurados, é que pertence a alta direção de seu planeta. Essa supremacia
não se detém aí; ela se estende até os mundos inferiores, onde esses
Espíritos, por suas influências, favorecem e ativam sem cessar o
progresso religioso, gerador de todos os outros. E necessário
acrescentar que, para esses Espíritos depurados, não poderia ser questão
senão de trabalho de inteligê
ncia, que sua atividade não se exerce mais do que no domínio de seu
pensamento, e que adquiriram bastante império sobre a matéria para não
serem, senão fracamente, entravados por ela no livre exercício de suas
vontades? Os corpos de todos esses Espíritos, e, aliás, de todos os
Espíritos que habitam Júpiter, é de uma densidade tão leve que não se
pode lhe encontrar termo de comparação senão nos fluidos imponderáveis;
um pouco maior do que o nosso, do qual reproduz exatamente a forma,
porém mais pura e mais bela, se nos oferece sob a aparência de um vapor
(emprego com pesar essa palavra que designa uma substância ainda muito
grosseira), de um vapor, digo, imperceptível e luminoso, luminoso
sobretudo nos contornos do rosto e da cabeça; porque aqui a inteligência
e a vida irradiam como um foco ardente; e é bem esse clarão magnético
entrevisto pelos visionários cristãos e que nossos pintores traduziram
pelo nimbo e pela auréola dos santos.
Concebe-se que um tal corpo não dificulte, senão fracamente, as
comunicações extra-mundanas desses Espíritos, e que lhes permite mesmo,
em seu planeta, um deslocamento pronto e fácil. Ele escapa tão
facilmente à atração planetária e sua densidade difere tão pouco da
atmosfera, que pode aí se mover, ir e vir, descer ou subir, ao capricho
do Espírito e sem outro esforço que o da sua vontade. Tanto que algumas
personagens que Palissy consentiu me fazer desenhar, estão representadas
ao rasante do solo, ou à flor da água, ou muito elevadas no ar, com
toda liberdade de ação e de movimentos que emprestamos aos nossos anjos.
Essa locomoção é tanto mais fácil para o Espírito quanto mais esteja
depurado, e isso se concebe sem dificuldade; também nada é mais fácil,
aos habitantes do planeta, que estimar, à primeira vista, o valor de um
Espírito que passa; dois sinais falarão por ele: a altura do seu vôo e a
luz mais ou menos brilhante de sua auréola.
Em Júpiter, como por toda parte, aqueles que voam mais alto são os mais
raros; abaixo deles, é preciso contar várias camadas de Espíritos
inferiores, em virtude como em poder, mas naturalmente livres para
igualá-los, um dia, em se aperfeiçoando. Escalonados e classificados
segundo seus méritos, estes são votados mais particularmente aos
trabalhos que interessam ao próprio planeta, e não exercem, sobre os
mundos inferiores, a autoridade todo-poderosa dos primeiros. Eles
respondem, é verdade, a uma evocação, com palavras sábias e boas, mas à
pressa que tem em nos deixar, ao laconismo de suas palavras, é fácil de
compreender que têm muito a fazer alhures, e que não estão ainda
bastante libertos para irradiarem, ao mesmo tempo, sobre dois pontos tão
distantes um do outro. Enfim, depois dos menos perfeitos desses
Espíritos, mas separados deles por um abismo, vêm os animais que, como
os únicos serviçais e os únicos obreiros do planeta, merecem uma menção
toda especial.
Se designamos sob esse nome de animais os seres bizarros que ocupam a
base da escala, foi porque os próprios Espíritos o puseram em uso e,
aliás, nossa própria língua não tem termo melhor para nos oferecer. Essa
designação os deprecia um pouco para baixo; mas chamá-los de homens
seria fazer-lhes muita honra: com efeito, são Espíritos votados à
animalidade, talvez por longo tempo, talvez para sempre; porque nem
todos os Espíritos estão de acordo sobre esse ponto, e a solução do
problema parece pertencer a mundos mais elevados do que Júpiter, mas,
qualquer que seja o seu futuro, não há com que se enganar quanto ao seu
passado. Esses Espíritos, antes de irem para lá, emigraram
sucessivamente em nossos baixos mundos, do corpo de um animal para o de
um outro, em uma escala de aperfeiçoamento perfeitamente graduada. O
estudo atento dos nossos animais terrestres, seus costumes, seus
caracteres individuais, sua ferocidade longe do homem, e sua
domesticação lenta mas sempre possível,
tudo isso atesta suficientemente a realidade dessa ascensão animal.
Assim, para qualquer lado que se volte, a harmonia do Universo se resume
sempre numa única lei: o progresso por toda parte e para todos, para o
animal como para a planta, para a planta como para o mineral; progresso
puramente material no início, nas moléculas insensíveis do metal ou do
calhau, e mais e mais inteligente à medida que remontamos à escala dos
seres e que a individualidade tende a se libertar da massa, a se
afirmar, a se conhecer. - Pensamento elevado e consolador, se assim não
fora jamais; porque prova que nada é sacrificado, que a recompensa é
sempre proporcional ao progresso alcançado; por exemplo, que o
devotamento do cão que morre por seu senhor não será estéril para o seu
Espírito, porque terá seu justo salário além deste mundo.
É o caso dos Espíritos animais que povoam Júpiter; aperfeiçoaram-se ao
mesmo tempo que nós, conosco e com a nossa ajuda. A lei é mais admirável
ainda: ela faz tão bem do seu devotamento ao homem a primeira condição
para a sua ascensão planetária, que a vontade de um Espírito de Júpiter
pode chamar para si todo animal que, em uma das suas vidas anteriores,
lhe haja dado provas de afeição. Essas simpatias que formam, no Mais
Alto, famílias de Espíritos, agrupam também, ao redor das famílias, todo
um cortejo de animais devotados. Por conseqüência, nosso apego neste
mundo por um animal, o cuidado que tomamos para abrandá-lo e
humanizá-lo, tudo isso tem a sua razão de ser, tudo isso será pago: é um
bom servidor que formamos antecipadamente para um mundo melhor.
Será também um operário; porque aos seus semelhantes está reservado todo
trabalho material, toda tarefa corporal: fardo ou alvenaria, semeadura
ou colheita. E, para tudo isso, a Suprema Inteligência proveu por um
corpo que participa, ao mesmo tempo, da superioridade da besta e da do
homem. Isso podemos julgar por um esboço de Palissy, que representa
alguns desses animais muito atentos a jogarem bolas. Eu não poderia
melhor compará-los senão aos faunos e aos sátiros da Fábula; o corpo
ligeiramente peludo é todavia aprumado como o nosso; as patas
desapareceram em alguns para darem lugar a certas pernas que lembram
ainda a forma primitiva, a dois braços robustos, singularmente ligados e
terminados por verdadeiras mãos, se nelas considero a oposição dos
dedos. Coisa bizarra, a cabeça, ao contrário, não é tão aperfeiçoada
quanto o resto! Assim, a fisionomia reflete bem alguma coisa de humano,
mas o crânio, mas o maxilar e, sobretudo, a orelha, nada têm que diferem
sensivelmente do
animal terrestre; fácil é, pois, distingui-los entre si: este é um
cão, aquele um leão. Propriamente vestidos com blusas e vestes muito
semelhantes às nossas, não esperam mais do que a palavra para lembrarem,
de muito perto, certos homens deste mundo; mas, eis precisamente o que
lhes falta, assim como o que não poderiam fazer. Hábeis para se
compreenderem entre si por uma linguagem que nada tem da nossa, não se
enganam mais sobre as intenções dos Espíritos que os comandam; um olhar,
um gesto bastam. A certos recursos magnéticos, dos quais nossos
domadores de animais já têm o segredo, o animal adivinha e obedece sem
murmurar, e o que é mais, de bom grado, porque está sob o encanto. Assim
é que se lhe impõe toda grande tarefa, e que com a sua ajuda tudo
funciona regularmente de um extremo ao outro da escala social: o
Espírito elevado pensa, delibera, o Espírito inferior aplica com a sua
própria iniciativa, o animal executa. Assim a concepção, o emprego e o
fato se unem numa m
esma harmonia, e conduzem todas as coisas para seu fim mais próprio,
pelos meios mais simples e mais seguros.
Peço desculpas por esta digressão: era indispensável ao meu objetivo, que agora posso abordar.
À espera das cartas prometidas, que facilitarão singularmente o estudo
de todo o planeta, podemos, pelas descrições feitas pelos Espíritos,
fazer-nos uma idéia de sua grande cidade, da cidade por excelência,
desse foco de luz e de atividade que concordam em designar sob o nome,
estranhamente latino, de Julnius.
"Sobre o maior dos nossos continentes, disse Palissy, em um vale de
setecentas a oitocentas léguas de largura, para contar como vós, um rio
magnífico descendo das montanhas do norte, e aumentado por uma multidão
de torrentes e de ribeirões, forma, em seu percurso, sete a oito lagos,
dos quais o menor mereceria, entre vós, o nome de mar. Foi sobre as
margens do maior desses lagos, batizado por nós com o nome de a Pérola,
que nossos ancestrais lançaram os primeiros fundamentos de Julnius. Essa
cidade primitiva ainda existe, venerada e conservada como uma preciosa
relíquia. Sua arquitetura difere muito da nossa. Explicar-te-ei tudo
isso a seu tempo: saiba apenas que a cidade moderna está a uns cem
metros mais abaixo da antiga. O lago, encaixado nas altas montanhas, se
derrama no vale por oito cataratas enormes, que formam igualmente
correntes isoladas e dispersas em todos os sentidos. Com a ajuda dessas
correntes, nós mesmos cavamos, na planície, uma multidão de riachos, de
cana
is e de tanques, não reservando a terra firme senão para nossas casas e
nossos jardins. Disso resultou uma espécie de cidade anfíbia, como
vossa Veneza, e da qual não se poderia dizer, à primeira vista, se está
edificada sobre a terra ou sobre a água. Não te digo nada hoje de quatro
edifícios sagrados, construídos sobre a própria vertente das cataratas,
de sorte que a água jorra em abundância de seus pórticos: aí estão
obras que vos pareceriam inacreditáveis pela grandeza e audácia.
"É a cidade terrestre que descrevo aqui, a cidade de alguma sorte
material, a das ocupações planetárias, a que chamamos, enfim, a Cidade
baixa. Ela tem suas ruas, ou antes, seus caminhos, traçados para o
serviço interior; tem suas praças públicas, seus pórticos e suas pontes
lançadas sobre os canais para a passagem dos servidores. Mas a cidade
inteligente, a cidade espiritual, a verdadeira Julnius, enfim, não é na
terra que é preciso procurá-la, é no ar.
"Ao corpo material de nossos animais, incapazes de voarem, (1), é
preciso a terra firme; mas o que nosso corpo fluídico e luminoso exige, é
uma residência aérea como ele, quase impalpável e móvel ao gosto de
nosso capricho. Nossa habilidade resolveu esse problema, com a ajuda do
tempo e das condições privilegiadas que o Grande Arquiteto nos havia
dado. Compreenda bem que essa conquista dos ares era indispensável a
Espíritos como os nossos. Nosso dia é de cinco horas, e nossa noite de
cinco horas igualmente; mas tudo é relativo, e para seres prontos para
pensarem e agirem como nós o somos, para Espíritos que se compreendem
pela linguagem dos olhos e que sabem se comunicar, magneticamente, à
distância, nosso dia de cinco horas igualaria já em atividade uma de
vossas semanas. Era ainda muito pouco, na nossa opinião; e a imobilidade
da morada, o ponto fixo da sede era um entrave para todas as nossas
grandes obras. Hoje, pelo deslocamento fácil dessas moradas de pássaros,
pela pos
sibilidade de transportar, nós e os outros, em tal lugar do planeta e
tal hora do dia que nos aprazasse, nossa existência é pelo menos
dobrada, e com ela tudo o que pode criar de útil e de grande.
(1) É preciso, todavia, deles excetuar certos animais munidos de asas e
reservados para o serviço aéreo, e para os trabalhos que exigiriam,
entre nós, o emprego de madeiramentos. São uma transformação da ave,
como os animais descritos mais acima são uma transformação dos
quadrúpedes.)
"Em certas épocas do ano, acrescentou o Espírito, em certas festas, por
exemplo, verias aqui o céu obscurecido pelo enxame de habitações que vêm
de todos os pontos do horizonte. É um curioso conjunto de casas
esbeltas, graciosas e leves, de toda forma, de toda cor, balançando em
toda altura, e continuamente a caminho da cidade baixa para a cidade
celeste: Alguns dias depois o vazio se faz pouco a pouco e todos esses
pássaros voam.
"Nada falta a essas moradias flutuantes, nem mesmo o encanto da verdura e
das flores. Falo de uma vegetação sem exemplo entre vós, de plantas, de
arbustos mesmo destinados, pela natureza de seus órgãos, a respirar, a
se alimentar, a viver, a se reproduzir no ar.
"Nós temos, disse o mesmo Espírito, dessas moitas de flores enormes, das
quais não poderíeis imaginar nem as formas nem as nuanças, e de uma
leveza de tecido que as torna quase transparentes. Balançando no ar,
onde longas folhas as sustem, e armadas de gavinhas semelhantes às da
videira, se reúnem em nuvens de mil tintas ou se dispersam ao sabor do
vento, e preparam encantador espetáculo aos passeadores da cidade
baixa... imagine a graça dessas jangadas de verdura, desses jardins
flutuantes que nossa vontade pode fazer e desfazer e que duram, às
vezes, toda uma estação! Longas fiadas de cipó de ramos floridos se
destacam dessas alturas e pendem até a terra, pencas enormes se agitam
sacudindo seus perfumes e suas pétalas que se desfolham... Os Espíritos
que atravessam o ar aí se detêm na passagem: é um lugar de repouso e de
reencontro, e, querendo-se, um meio de transporte para rematar a viagem
sem fadiga e em companhia."
Um outro Espírito estava sentado sobre uma dessas flores no momento em que eu o evoquei.
"Nesse momento, disse-me ele, é noite em Julnius, estou sentado à parte
sobre uma dessas flores do ar que não desabrocham aqui senão à claridade
de nossas luas. Sob meus pés toda cidade baixa dorme; mas sobre minha
cabeça e ao meu redor, a perder de vista, não há senão movimento e
alegria no espaço. Dormimos pouco: nossa alma é muito desligada para que
as necessidades do corpo sejam tirânicas; e a noite é antes feita para
nossos servidores do que para nós. É a hora das visitas e das longas
conversas, de passeadores solitários, de fantasias, da música. Não vejo
senão moradas aéreas resplandecentes de luzes ou jangadas de folhas e de
flores carregadas de bandos alegres... A primeira de nossas ruas
clareia toda a cidade baixa: é uma doce luz comparável a de vosso luar;
mas, do lado do lago, a segunda se eleva, e esta tem reflexos
esverdeados que dão a todo o rio o aspecto de um grande gramado..."
É sobre a margem direita desse rio, "cuja água, disse o Espírito, te
ofereceria a consistência de um leve vapor (1), " que está construída a
casa de Mozart, que Palissy consentiu fazer-me desenhar sobre cobre. Não
dou aqui senão a fachada sul. A grande entrada está à esquerda, sobre a
planície; à direita está o rio; ao norte e ao sul estão os jardins.
Perguntei a Mozart quem eram os seus vizinhos. - "Mais alto, disse, e
mais baixo, há dois Espíritos que tu não desconheces; mas à esquerda,
não estou separado senão por uma grande campina do jardim de Cervantes."
(1) A densidade de Júpiter sendo de 0,23, quer dizer, um pouco menos de
um quarto da Terra, o Espírito nada disse aqui senão de muito
verossímil. Concebe-se que tudo é relativo, e que sobre esse globo
etéreo tudo seja etéreo como ele.
A casa tem, pois, quatro faces como as nossas, do que seria errado,
todavia, fazer uma regra geral. Ela está construída com uma certa pedra
que os animais tiram das pedreiras do norte, é das quais o Espírito
compara a cor a esses tons esverdeados que toma, freqüentemente, o azul
do céu no momento em que o sol se deita. Quanto à sua duração pode-se
dela fazer uma idéia por esta observação de Palissy, que ela derreteria
sob nossos dedos humanos tão rápida quanto um floco de neve: ainda está
aí uma das matérias mais resistentes do planeta! Sobre essa parede os
Espíritos esculpiram ou incrustaram os estranhos arabescos que nosso
desenho procura reproduzir. São ou ornamentos escavados nas pedras e
coloridos em seguida, ou incrustações limitadas à solidez da pedra
verde, por um procedimento que está muito em voga agora, e que conserva
nos vegetais toda a graça de seus contornos, toda a finura de seus
tecidos, toda a riqueza de seu colorido.
"Uma descoberta, acrescentou o Espírito, que fareis algum dia e que mudará entre vós muitas coisas."
A grande janela da direita apresenta um exemplo de gênero de
ornamentação, uma de suas bordas não é outra coisa senão um caniço
enorme do qual se conservaram as folhas. Ocorre o mesmo com o coroamento
da janela principal, que apresenta a forma de claves de sol: são
plantas sarmentosas enlaçadas e petrificadas. E por esse procedimento
que eles obtêm a maioria dos coroamentos de edifícios, de grades, de
balaústres, etc. Freqüentemente mesmo, a planta é colocada na parede,
com suas raízes, em condições de crescer livremente. Ela cresce, se
desenvolve; suas folhas desabrocham ao acaso, e o artista não a congela
no lugar senão quando adquiriu todo o desenvolvimento desejado para a
ornamentação do edifício: a casa de Palissy é quase inteiramente
decorada desse modo.
Destinada primeiro unicamente aos móveis, depois às molduras de portas e
de janelas, esse gênero de ornamento se aperfeiçoou pouco a pouco e
acabou por invadir toda a arquitetura. Hoje, não são apenas a flor e o
arbusto que se petrificam no estado, mas a própria árvore da raiz ao
topo; e os palácios, como os edifícios sagrados quase nada mais têm de
outras colônias.
Uma petrificação da mesma natureza serve também para a decoração das
janelas. De flores ou de folhas muito amplas, são habilmente despojadas
de sua parte carnuda: não resta mais do que uma rede de fibras, tão fina
quanto a mais fina musselina. E cristalizada, e dessas folhas unidas
com arte, constrói-se toda uma janela, que não deixa filtrar, para o
interior, senão uma luz muito doce: ou bem as reveste com uma espécie de
vidro líquido e colorido com todas as nuanças, que se endurece no ar e
que transforma a folha em uma espécie de vidraça. Do conjunto dessas
folhas resultam, para janelas, encantadores bosquezinhos transparentes e
luminosos.
Quanto à própria duração dessas aberturas, e a mil outros detalhes que
podem surpreender ao primeiro contato, sou forçado a adiar-lhes a
explicação: a história da arquitetura em Júpiter exigiria um volume
inteiro. Renuncio igualmente a falar do mobiliário, para não me ater
aqui senão à disposição geral da casa.
O leitor deve ter compreendido, depois de tudo o que precede, que a casa
do continente não deve ser, para o Espírito senão uma espécie de
pequena casa de passagem. A cidade baixa não é quase freqüentada senão
por Espíritos de segunda ordem, encarregados dos interesses planetários,
da agricultura, por exemplo, ou das trocas, e da boa ordem a manter
entre os servidores. Também todas as casas que repousam sobre o solo,
geralmente, não têm senão um térreo e um andar: um destinado aos
Espíritos que agem sob a direção do senhor, e acessível aos animais; o
outro, reservado só ao Espírito, que nele não mora senão por ocasião. É
isso que explica por que vemos, nas várias casas de Júpiter, nesta por
exemplo, e na de Zoroastro, uma escada e mesmo uma rampa. Aquele que
rasa a água como uma andorinha, e que pode correr sobre as hastes de
trigo sem curvá-las, dispensa muito bem escada e rampa para entrar em
sua casa; mas os Espíritos inferiores não têm o vôo tão fácil: não se
elevam senão
pela agitação, e a rampa não lhes é sempre inútil. Enfim, a escada é
absoluta necessidade para os animais serviçais, que não caminham senão
como nós. Estes últimos têm também seus compartimentos, muito elegantes,
de resto, que fazem parte de todas as grandes habitações; mas suas
funções os chamam, constantemente, à casa do senhor: é preciso
facilitar-lhes a entrada e o percurso interior. Daí essas construções
bizarras, que, pela base, assemelham-se ainda aos nossos edifícios
terrestres, e que deles diferem absolutamente pelo vértice.
Este se distingue, sobretudo, por uma originalidade que seríamos
incapazes de imitar. É uma espécie de flecha aérea que se balança sobre o
alto do edifício, acima da grande janela de seu original coroamento.
Esse frágil escaler, fácil de deslocar, e todavia destinado, no
pensamento do artista, a não deixar o lugar que lhe foi assinalado,
porque sem repousar em nada sobre o cume, completa-lhe, no entanto, a
decoração, e lamento que a dimensão da prancha não haja permitido que
nela encontrasse lugar. Quanto à morada de Mozart não tenho aqui senão
que constatar-lhe a existência: os limites desse artigo não me permitem
estender-me sobre esse assunto.
Não terminaria, todavia, sem me explicar, de passagem, sobre o gênero de
ornamentos que o grande artista escolheu para a sua moradia. É fácil
neles reconhecer a lembrança de nossa música terrestre: a clave de sol
ai está freqüentemente repetida, e, coisa bizarra, jamais a clave de
fá!. Na decoração do térreo encontramos um arco de violino, uma espécie
de grande alaúde ou de bandolim, uma lira e toda uma pauta musical. Mais
alto, é uma grande janela que lembra, vagamente, a forma de um órgão;
os outros têm aparência de grandes notas, e notas mais pequenas são
abundantes por sobre toda a fachada.
Seria erro disso concluir que a música de Júpiter seja comparável à
nossa, e que se conta pelos mesmos sinais: Mozart explicou-se sobre ela
de modo a não deixar dúvidas a esse respeito; mas os Espíritos lembram,
de bom grado, na decoração de suas casas, a missão terrestre que lhes
mereceu a encarnação em Júpiter e que resume melhor o caráter de sua
inteligência. Assim, na casa de Zoroastro são os astros e a chama que
fazem todos os detalhes da decoração.
Há mais; parece que esse simbolismo tem suas regras e seus segredos.
Todos esses ornamentos não estão dispostos ao acaso: têm sua ordem
lógica e sua significação precisa; mas é uma arte que os Espíritos de
Júpiter renunciam em nos fazer compreender, pelo menos até este dia, e
sobre a qual não se explicam de bom grado. Nossos velhos arquitetos
empregaram também o simbolismo na decoração de suas catedrais; e a torre
de Saint-Jacques não é nada menos que um poema hermético, se se crê na
tradição. Nada há, pois, para nos espantar na estranheza e na decoração
arquitetônica em Júpiter; se ela contradiz nossas idéias quanto à arte
humana, é que há, com efeito, todo um abismo entre uma arquitetura que
vive e que fala e uma alvenaria, como a nossa, que nada prova. Nisso,
como em toda outra coisa, a prudência nos proíbe esse erro do relativo
que quer tudo conduzir às proporções e aos hábitos do homem terrestre.
Se os habitantes de Júpiter estivessem alojados como nós, se comessem,
vive
ssem, dormissem e andassem como nós, não haveria grande proveito em
subir para lá. É bem porque seu planeta difere absolutamente do nosso
que desejamos conhecê-lo, e sonhá-lo como nossa futura morada!
De minha parte, não perderia o meu tempo e estaria bem feliz por terem
os Espíritos me escolhido para seu intérprete, se seus desenhos e suas
descrições inspirarem, a um único crente, o desejo de subir mais rápido
para Julnius, e a coragem de tudo fazer para isso conseguir.
VICTORIEN SARDOU.
O autor dessa interessante descrição é um desses adeptos fervorosos e
esclarecidos que não temem confessar francamente suas crenças, e se
coloca acima da critica de pessoas que não crêem em nada daquilo que sai
do círculo de suas idéias. Ligar seu nome a uma doutrina nova,
desafiando os sarcasmos, é uma coragem que não é dada a todo mundo, e
felicitamos o senhor V. Sardou por tê-la. Seu trabalho revela o escritor
distinto que, embora jovem ainda, já conquistou um lugar honroso na
literatura, e une ao talento de escrever, os profundos conhecimentos de
sábio; nova prova que o Espiritismo não recruta entre os tolos e os
ignorantes. Fazemos votos para que o senhor Sardou complete, o mais
rápido possível, seu trabalho tão felizmente começado. Se os astrônomos
nos revelam, por suas sábias pesquisas, o mecanismo do Universo, os
Espíritos, por suas revelações, nos fazem conhecer o seu estado moral e
isso, como eles dizem, com o objetivo de nos estimular ao bem, a fim de
merecermos um
a existência melhor.
ALLAN KARDEC
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O Espiritismo
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
A Vida
A Vida
Não é necessário que a morte abra as portas de tribunais supremos para que o homem seja julgado em definitivo.
A vida faz a análise todos os dias e a luta é o grande movimento seletivo, através do qual observamos diversas sentenças a se evidenciarem nos variados setores da atividade humana.
A moléstia julga os excessos;
A exaustão corrige o abuso;
A dúvida retifica a leviandade;
A aflição reajusta os desvios;
O tédio pune a licença;
O remorso castiga as culpas;
A sombra domina os que fogem à luz;
O isolamento fere o orgulho;
A desilusão golpeia o egoísmo;
As chagas selecionam as células do corpo.
Cada sofrimento humano é aresto do Juízo Divino em função na vida contingente da Terra.
Cada criatura padece determinadas sanções em seu campo de experiência.
Compreendendo, a justiça imanente do Senhor, em todas as circunstâncias e em todas as coisas, atendamos à sementeira do bem, aqui e agora, na certeza de que, segundo a palavra do Mestre, cada Espírito receberá os bens e os males do Patrimônio Infinito da Vida, de conformidade com as próprias obras.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Taça de Luz
.......
Abençoa e Segue
Fita a caravana de companheiros que renteiam contigo, na via pública, e reconhecerás na face de cada um, quase sempre, apreensões e desgostos, a te pedirem simpatia e compreensão.
O cavalheiro bem posto, que passa no carro de luxo, talvez esteja seguindo ao encontro de credores implacáveis, cujas exigências lhe amargam os dias. A dama que surge, causando admiração pelos dotes de elegância e beleza, possivelmente, estará suportando espinhoso fardo de inquietações.
O atleta que aplaudes, partilhando o delírio da multidão, em muitos casos, terá sofrido inesperada perda afetiva e, embora apareça sorrindo, muitas vezes, tem o íntimo embraseado de angústia.
E aquela própria criança inteligente e robusta que observas sob a tutela de alguém, talvez esconda consigo a dor de haver perdido o pai que a trouxe ao mundo.
Na apreciação acerca de alguém ou no exame de situações determinadas, usa a misericórdia, a fim de que te vejas no caminho certo. Abençoa e segue adiante. Na Terra, comumente, afrontada de condenações, sê a presença da paz e o reconforto da benção.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
........
Acharás no Próprio Coração
Entrega a Deus os problemas que se te façam insolúveis, trabalha e caminha adiante.
Assim acharás no próprio coração a presença da paz, a irradiar-se de ti por fonte de amor e luz.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
..........
Afirmação
O Céu auxilia sempre
a quem trabalha
mas espera de quem trabalha
o auxílio possível
para todos aqueles
que ainda não descobriram
a felicidade de trabalhar.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
........
A PAZ DO ÚLTIMO DIA
Já pensastes na paz do último dia na Terra?
Há, na alma prestes a regressar à sua eterna pátria, um mundo de sensações desconhecidas.
Nesses olhos nublados de pranto, num corpo lavado pelo copioso suor da agonia, gangrenado e semi-apodrecido, onde os órgãos rebeldes, em conflito, são centros das mais violentas e rudes dores, existe todo um amontoado de mistérios indecifráveis para aqueles que ficam.
Nesses rápidos minutos, um turbilhão de pensamentos represa-se nesse cérebro esgotado pelos sofrimentos... O Espírito, no limiar do túmulo, sente angústia e receio; e, nos estertores de sua impotência, vê, numa continuidade assombrosa de imagens movimentadas, toda a inutilidade das ilusões da vida material. Todas as suas vaidades e enganos tombam furiosamente, como se um ciclone impiedoso os arrancasse do seu íntimo, e os que somente para esses enganos viveram sentem-se, na profundeza de suas consciências, como se atravessassem um deserto árido e extenso; todos os erros do passado gritam nos seus corações, todos os deslizes se lhes apresentam, e nessa quietude aparente de uns lábios que se cerram no doloroso ricto da morte, existem brados de blasfêmia e desesperação, que não escutais, em vosso próprio benefício.
Para esses Espíritos, não existe a paz do último dia. Amargurados e desditosos, lançam ao passado o olhar e reflexionam: – “Ah! se eu pudesse voltar aos tempos idos!...”
OS QUE SE DEDICAM ÀS COISAS ESPIRITUAIS
Nunca nos cansaremos de repetir que a existência no orbe terreno constitui, para as almas mais ou menos evolvidas, um estágio de aprendizado ou de degredo; junto desses seres sensíveis, vivem os Espíritos retardados no seu adiantamento e aqueles que se encontram no início da evolução. Para todos, porém, a luta é a lei purificadora. Os que vivem com mais dedicação às coisas do Espírito, esses encontram maiores elementos de paz e felicidade no futuro; para eles, que sofreram mais, em razão do seu afastamento da vida mundana, a morte é um remanso de tranquilidade e de esperança. Encontrarão a paz ambicionada nos seus dias de lágrimas torturantes, e sociedades esclarecidas os esperam em seu seio, para celebrarem dignamente os seus atos de heroísmo na tarefa árdua de resistência às inúmeras seduções que a existência planetária oferece.
AS ALMAS TORTURADAS
Quão triste, todavia, é a situação dos que no mundo se apegaram, demasiadamente, às alegrias mentirosas e aos prazeres fictícios. Muitos anos de dor os aguardam, nas regiões espirituais, onde contemplam incessantemente os quadros do seu pretérito, em desoladoras visões retrospectivas, na posse imaginária das coisas que os obsidiam. Amantes do ouro, ali ouvem, continuadamente, o tilintar de suas supostas moedas; ingratos, escutam os que foram enganados pelas suas traições; cenas penosas se verificam e muitas almas piedosas se entregam ao mister de guias e condutores desses Espíritos enceguecidos na ilusão e nos tormentos. Só o amor dessas almas carinhosas permite que as esperanças não desfaleçam, cultivando-as incessantemente no coração abatido e desolado dos sofredores, a fim de que renasçam para os resgates necessários.
A OUTRA VIDA
A vida no Além é também atividade, trabalho, luta, movimento. Se as almas estão menos submetidas ao cansaço, não combatem menos pelo seu aperfeiçoamento.
A lei das afinidades a tudo preside, entre os seres despidos dos indumentos carnais, e, liberto o Espírito dos laços que o agrilhoavam à matéria, recebe o apelo de quantos se afinam pelas suas preferências e inclinações.
ESPÍRITOS FELIZES
Bem-aventurados todos aqueles que, ao palmilharem seus derradeiros caminhos, encontram a alvorada da paz, luminosa e promissora; nos celeiros da luz, recolhem o pão da verdade e da sabedoria, porque bem souberam cumprir suas obrigações morais.
A sombra das árvores magnânimas que plantaram com os seus atos de caridade, de fé e de esperança, repousam a cabeça dilacerada nos amargores da Terra; divinas inspirações descem das Alturas sobre as suas mentes, que iluminam como tabernáculos sagrados e, interpretando fielmente as disposições da vontade diretora do Universo, transformam-se em mensageiros do Altíssimo.
AOS MEUS IRMÃOS
Homens, meus irmãos, considerai a fração de tempo da vossa passagem pela Terra. Observai o exemplo das almas nobres que, em épocas diferentes, vos trouxeram a palavra do Céu na vossa ingrata linguagem; suas vidas estão cheias de sacrifícios e dedicações dolorosas. Não vos entregueis aos desvios que conduzem ao materialismo dissolvente. Olhando o vosso passado, que constitui o passado da própria Humanidade, uma cruciante amargura domina o vosso espírito: atrás de vós, a falência religiosa, ante os problemas da evolução, impele-vos à descrença e ao egoísmo; muitos se recolhem nas suas posições de mando e há uma sede generalizada de gozo material, com a perspectiva do nada, que a maioria das criaturas acredita encontrar no caminho silencioso da morte; mas eis que, substituindo as religiões que faliram, à falta de cultivadores fiéis, ouve-se a voz do Espírito da Verdade em todas as regiões da Terra. Os túmulos falam e os vossos bem - amados vos dizem das experiências adquiridas e das dores que passaram. Há um sublime conúbio do Céu com a Terra.
Vinde ao banquete espiritual onde a Verdade domina em toda a sua grandiosa excelsitude. Vinde sem desconfianças, sem receios, não como novos Tomés, mas como almas necessitadas de luz e de liberdade; não basta virdes com o espírito de criticismo, é preciso trazerdes um coração que saiba corresponder com sentimento elevado a um raciocínio superior.
Outros mundos vos esperam na imensidade, onde os sóis realizam os fenômenos de sua eterna trajetória. Dilatai vossa esperança, porque um dia chegará em que, na Terra, devereis abandonar o exílio onde chorais como seres desterrados. Que todos vós possais, no ocaso da existência, contemplar no céu da vossa consciência estrelas resplandecentes da paz que representará a vossa glorificação imortal.
Emmanuel (psicografia de Chico Xavier). Livro: Emmanuel.
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Não é necessário que a morte abra as portas de tribunais supremos para que o homem seja julgado em definitivo.
A vida faz a análise todos os dias e a luta é o grande movimento seletivo, através do qual observamos diversas sentenças a se evidenciarem nos variados setores da atividade humana.
A moléstia julga os excessos;
A exaustão corrige o abuso;
A dúvida retifica a leviandade;
A aflição reajusta os desvios;
O tédio pune a licença;
O remorso castiga as culpas;
A sombra domina os que fogem à luz;
O isolamento fere o orgulho;
A desilusão golpeia o egoísmo;
As chagas selecionam as células do corpo.
Cada sofrimento humano é aresto do Juízo Divino em função na vida contingente da Terra.
Cada criatura padece determinadas sanções em seu campo de experiência.
Compreendendo, a justiça imanente do Senhor, em todas as circunstâncias e em todas as coisas, atendamos à sementeira do bem, aqui e agora, na certeza de que, segundo a palavra do Mestre, cada Espírito receberá os bens e os males do Patrimônio Infinito da Vida, de conformidade com as próprias obras.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Taça de Luz
.......
Abençoa e Segue
Fita a caravana de companheiros que renteiam contigo, na via pública, e reconhecerás na face de cada um, quase sempre, apreensões e desgostos, a te pedirem simpatia e compreensão.
O cavalheiro bem posto, que passa no carro de luxo, talvez esteja seguindo ao encontro de credores implacáveis, cujas exigências lhe amargam os dias. A dama que surge, causando admiração pelos dotes de elegância e beleza, possivelmente, estará suportando espinhoso fardo de inquietações.
O atleta que aplaudes, partilhando o delírio da multidão, em muitos casos, terá sofrido inesperada perda afetiva e, embora apareça sorrindo, muitas vezes, tem o íntimo embraseado de angústia.
E aquela própria criança inteligente e robusta que observas sob a tutela de alguém, talvez esconda consigo a dor de haver perdido o pai que a trouxe ao mundo.
Na apreciação acerca de alguém ou no exame de situações determinadas, usa a misericórdia, a fim de que te vejas no caminho certo. Abençoa e segue adiante. Na Terra, comumente, afrontada de condenações, sê a presença da paz e o reconforto da benção.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
........
Acharás no Próprio Coração
Entrega a Deus os problemas que se te façam insolúveis, trabalha e caminha adiante.
Assim acharás no próprio coração a presença da paz, a irradiar-se de ti por fonte de amor e luz.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
..........
Afirmação
O Céu auxilia sempre
a quem trabalha
mas espera de quem trabalha
o auxílio possível
para todos aqueles
que ainda não descobriram
a felicidade de trabalhar.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
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A PAZ DO ÚLTIMO DIA
Já pensastes na paz do último dia na Terra?
Há, na alma prestes a regressar à sua eterna pátria, um mundo de sensações desconhecidas.
Nesses olhos nublados de pranto, num corpo lavado pelo copioso suor da agonia, gangrenado e semi-apodrecido, onde os órgãos rebeldes, em conflito, são centros das mais violentas e rudes dores, existe todo um amontoado de mistérios indecifráveis para aqueles que ficam.
Nesses rápidos minutos, um turbilhão de pensamentos represa-se nesse cérebro esgotado pelos sofrimentos... O Espírito, no limiar do túmulo, sente angústia e receio; e, nos estertores de sua impotência, vê, numa continuidade assombrosa de imagens movimentadas, toda a inutilidade das ilusões da vida material. Todas as suas vaidades e enganos tombam furiosamente, como se um ciclone impiedoso os arrancasse do seu íntimo, e os que somente para esses enganos viveram sentem-se, na profundeza de suas consciências, como se atravessassem um deserto árido e extenso; todos os erros do passado gritam nos seus corações, todos os deslizes se lhes apresentam, e nessa quietude aparente de uns lábios que se cerram no doloroso ricto da morte, existem brados de blasfêmia e desesperação, que não escutais, em vosso próprio benefício.
Para esses Espíritos, não existe a paz do último dia. Amargurados e desditosos, lançam ao passado o olhar e reflexionam: – “Ah! se eu pudesse voltar aos tempos idos!...”
OS QUE SE DEDICAM ÀS COISAS ESPIRITUAIS
Nunca nos cansaremos de repetir que a existência no orbe terreno constitui, para as almas mais ou menos evolvidas, um estágio de aprendizado ou de degredo; junto desses seres sensíveis, vivem os Espíritos retardados no seu adiantamento e aqueles que se encontram no início da evolução. Para todos, porém, a luta é a lei purificadora. Os que vivem com mais dedicação às coisas do Espírito, esses encontram maiores elementos de paz e felicidade no futuro; para eles, que sofreram mais, em razão do seu afastamento da vida mundana, a morte é um remanso de tranquilidade e de esperança. Encontrarão a paz ambicionada nos seus dias de lágrimas torturantes, e sociedades esclarecidas os esperam em seu seio, para celebrarem dignamente os seus atos de heroísmo na tarefa árdua de resistência às inúmeras seduções que a existência planetária oferece.
AS ALMAS TORTURADAS
Quão triste, todavia, é a situação dos que no mundo se apegaram, demasiadamente, às alegrias mentirosas e aos prazeres fictícios. Muitos anos de dor os aguardam, nas regiões espirituais, onde contemplam incessantemente os quadros do seu pretérito, em desoladoras visões retrospectivas, na posse imaginária das coisas que os obsidiam. Amantes do ouro, ali ouvem, continuadamente, o tilintar de suas supostas moedas; ingratos, escutam os que foram enganados pelas suas traições; cenas penosas se verificam e muitas almas piedosas se entregam ao mister de guias e condutores desses Espíritos enceguecidos na ilusão e nos tormentos. Só o amor dessas almas carinhosas permite que as esperanças não desfaleçam, cultivando-as incessantemente no coração abatido e desolado dos sofredores, a fim de que renasçam para os resgates necessários.
A OUTRA VIDA
A vida no Além é também atividade, trabalho, luta, movimento. Se as almas estão menos submetidas ao cansaço, não combatem menos pelo seu aperfeiçoamento.
A lei das afinidades a tudo preside, entre os seres despidos dos indumentos carnais, e, liberto o Espírito dos laços que o agrilhoavam à matéria, recebe o apelo de quantos se afinam pelas suas preferências e inclinações.
ESPÍRITOS FELIZES
Bem-aventurados todos aqueles que, ao palmilharem seus derradeiros caminhos, encontram a alvorada da paz, luminosa e promissora; nos celeiros da luz, recolhem o pão da verdade e da sabedoria, porque bem souberam cumprir suas obrigações morais.
A sombra das árvores magnânimas que plantaram com os seus atos de caridade, de fé e de esperança, repousam a cabeça dilacerada nos amargores da Terra; divinas inspirações descem das Alturas sobre as suas mentes, que iluminam como tabernáculos sagrados e, interpretando fielmente as disposições da vontade diretora do Universo, transformam-se em mensageiros do Altíssimo.
AOS MEUS IRMÃOS
Homens, meus irmãos, considerai a fração de tempo da vossa passagem pela Terra. Observai o exemplo das almas nobres que, em épocas diferentes, vos trouxeram a palavra do Céu na vossa ingrata linguagem; suas vidas estão cheias de sacrifícios e dedicações dolorosas. Não vos entregueis aos desvios que conduzem ao materialismo dissolvente. Olhando o vosso passado, que constitui o passado da própria Humanidade, uma cruciante amargura domina o vosso espírito: atrás de vós, a falência religiosa, ante os problemas da evolução, impele-vos à descrença e ao egoísmo; muitos se recolhem nas suas posições de mando e há uma sede generalizada de gozo material, com a perspectiva do nada, que a maioria das criaturas acredita encontrar no caminho silencioso da morte; mas eis que, substituindo as religiões que faliram, à falta de cultivadores fiéis, ouve-se a voz do Espírito da Verdade em todas as regiões da Terra. Os túmulos falam e os vossos bem - amados vos dizem das experiências adquiridas e das dores que passaram. Há um sublime conúbio do Céu com a Terra.
Vinde ao banquete espiritual onde a Verdade domina em toda a sua grandiosa excelsitude. Vinde sem desconfianças, sem receios, não como novos Tomés, mas como almas necessitadas de luz e de liberdade; não basta virdes com o espírito de criticismo, é preciso trazerdes um coração que saiba corresponder com sentimento elevado a um raciocínio superior.
Outros mundos vos esperam na imensidade, onde os sóis realizam os fenômenos de sua eterna trajetória. Dilatai vossa esperança, porque um dia chegará em que, na Terra, devereis abandonar o exílio onde chorais como seres desterrados. Que todos vós possais, no ocaso da existência, contemplar no céu da vossa consciência estrelas resplandecentes da paz que representará a vossa glorificação imortal.
Emmanuel (psicografia de Chico Xavier). Livro: Emmanuel.
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KARDEC E A ESPIRITUALIDADE
KARDEC E A ESPIRITUALIDADE
Todas as missões dignificadoras dos grandes vultos humanos são tarefas do Espírito. Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade, através da radiotelefonia. Apreciando, porém, o labor da inteligência humana, somos obrigados a reconhecer que nem todas essas missões têm naturalmente uma repercussão imediata e grandiosa no Mundo dos Espíritos.
Daí a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec. Suas atividades requisitaram a atenção do planeta e, simultaneamente, repercutiram nas esferas espirituais, onde se formaram legiões de colaboradores, em seu favor
Sua tarefa revelava ao homem um mundo diferente. A morte, o problema milenário das criaturas, perdia sua feição de esfinge. Outras vozes falavam da vida, além dos sepulcros. Seu esforço espalhava-se pelo orbe como a mais consoladora das filosofias; por isso mesmo, difundia-se, no plano invisível, como vasto movimento de interesses divinos.
Ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo. Este é de todos os tempos e situações da humanidade. Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã. Com esse título, conquistado a peso de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não morresse desesperado. E, contribuindo com a sua coragem, desde o primeiro dia de labor, organizaram-se nos Círculos da Espiritualidade os mais largos movimentos de cooperação e de auxílio ao seu esforço superior.
Legiões de amigos generosos da humanidade alistaram-se sob a sua bandeira cooperando na causa imortal. Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas dos homens, para que a ciência e a fé iniciassem a marcha da suprema união, em Jesus Cristo.
Não somente o orbe terrestre foi beneficiado. Não apenas os homens ganharam esperanças. O mundo invisível alcançou, igualmente, consolo e compreensão.
Os vícios da educação religiosa prejudicaram as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada. As ideias de um Céu injustificável e de um inferno terrível formaram a concepção do Espírito liberto, como sendo um ser esquecido da Terra, onde amou, lutou e sofreu.
Semelhante convicção contrariava o espírito de sequência da Natureza. Quem atendeu as determinações da morte, naturalmente, continua, além, suas lutas e tarefas, no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestido, mas a alma, senhora da Vida Imortal.
Essa realidade fornece uma expressão do grandioso alcance “da missão de Allan Kardec”, considerada no Plano Espiritual.
É justo o reconhecimento dos homens e não menos justo o nosso agradecimento aos seus sacrifícios “de missionário”, ainda porque apreciamos a atividade de um apóstolo sempre vivo.
Que Deus o abençoe.
O Evangelho nos fala que os anjos se regozijam quando se arrepende um pecador. (Lc) E a tarefa santificada de Allan Kardec tem consolado e convertido milhares de pecadores, neste mundo e no outro.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina de Luz
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EVANGELHO EM AÇÃO
Meus amigos, muita paz.
Nunca é demais salientar a missão evangélica do Brasil, na sementeira do espiritualismo moderno.
Em outros setores da evolução planetária, eleva-se a inteligência aos cumes da prosperidade material, determinando realizações científicas e perquirições filosóficas de vasto alcance, comprometendo, porém, a obra do sentimento santificante.
Em esferas outras, assinalamos a investigação de segredos cósmicos, na qual se transforma o homem no gênio destruidor da própria grandeza, alinhando canhões na retaguarda de compêndios valiosos e de comovedoras teorias salvacionistas, em todos os ângulos da política e da economia dirigidas.
No Brasil, contudo, ergue-se espiritualmente o ciclópico e sublime santuário do Cristianismo Redivivo.
Aqui a Doutrina Consoladora dos Espíritos perde as exterioridades fenomênicas para que o homem desperte à luz da Vida Eterna.
Aqui, o Evangelho em movimento extingue a curiosidade ociosa e destrutiva que se erige em monstro devorador do tempo, descortinando o campo de serviço pela fraternidade humana, sob o patrocínio do Divino Mestre.
É por isto que ao espiritista brasileiro muito se pede, (Ev) esperando-lhe a decisiva atuação no trabalho restaurador do mundo, porquanto na pátria abençoada do Cruzeiro a amplitude da terra se alia à sublimidade da revelação.
É necessário que em seus dadivosos celeiros de pão e amor se modifiquem as atitudes do crente renovado em Nosso Senhor Jesus, a fim de que o pensamento das Esferas Superiores se expanda livre e puro, nos círculos da inteligência encarnada, concretizando a celeste mensagem de que os novos discípulos são naturalmente portadores.
Não basta, portanto, apreender o contingente de consolações do edifício doutrinário ou receber a hóstia do conforto pessoal no templo sagrado que o Espiritismo Evangélico representa para quantos lhe batam às portas acolhedoras.
É imprescindível consagrar nossas melhores energias à extensão da fé vivificante que nos refunde e aperfeiçoa, à frente do futuro.
Semelhante edificação, todavia, não se expressará senão por intermédio de nosso próprio devotamento à causa da libertação humana, transformando-nos pelo esforço e pelo estudo, pelo trabalho e pela iluminação íntima, em hífens de amor cristão, habilitados à posição de instrumentos do Plano Superior.
O Espiritismo brasileiro congrega extensa caravana de servidores da renovação cultural e sentimental do mundo e complexas responsabilidades lhe revestem a ação com o Cristo.
Estendamos, assim, o serviço evangélico na intimidade da filosofia espiritualista, insculpindo em mós, antes de tudo, os princípios da doutrina viva e redentora de que nos constituímos pregoeiros.
Não cristalizemos, sobretudo, a tarefa que nos cabe à frente das exigências da Terra, refugiando-nos na expectativa inoperante, porque a ruína das religiões sectaristas provém da ociosidade mental em que se mergulham os aprendizes, aguardando favores milagrosos e gratuitos do Céu, com prejuízo flagrante da religião do dever bem cumprido na solidariedade humana, da qual depende a execução de qualquer sistema salvacionista das criaturas.
Acordemos, desse modo, as nossas forças profundas, colaborando no nível real de nossas possibilidades dentro da tarefa que nos cabe realizar, individualmente, no imenso concerto de regeneração da vida coletiva.
Enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar de felicidade isolada para nós mesmos.
Companheiros existem suspirando por um paraíso fácil, em que sejam asilados sem obrigações, à maneira de trabalhadores preguiçosos e exigentes que centralizam a mente nas noções do direito sem qualquer preocupação quanto aos imperativos do dever.
Esses, em geral, são aqueles que cuidam de conservar alva rotulagem, na planície das convenções terrenas, muita vez à custa do sofrimento e da dilaceração de almas inúmeras que lhes servem de degraus, na escalada às vantagens de ordem material e perecível, para despertarem, depois, infortunados e desiludidos, nos braços da realidade amargurosa que a morte descerra, invariável.
Nós outros, no entanto, não ignoramos que a Nova Revelação nos infunde energias renovadas ao coração e à consciência, com os impositivos de trabalho e responsabilidade no ministério árduo do aperfeiçoamento e sabemos, agora, que o homem é o decretador de suas próprias dores e dispensador das bênçãos que o cercam, de vez que a Lei de Justiça e Equilíbrio expressa em cada um de nós o resultado de nossa sementeira através do tempo.
É indispensável a nossa conversão substancial e efetiva ao Espírito do Senhor, materializando-lhe os ensinos e acatando-lhe os desígnios, onde estivermos, para que, na condição de servidores de um país extremamente favorecido, possamos conduzir o estandarte da reabilitação espiritual do mundo que se perde, rico de glórias perecíveis e mendigo de luz e de amor.
Esperando que a paz do Mestre permaneça impressa em nossas vidas, que devem traduzir mensagens cristalinas e edificantes de seu Evangelho Salvador, terminamos, invocando-vos a cooperação em favor do mundo melhor.
— Entrelacemos corações em torno da Boa Nova que nos deve presidir às experiências na atividade comum! Enquanto os discípulos distraídos se digladiam, desprezando, insensatos, a bênção das horas, ouçamos a voz do Senhor que nos compele à disciplina no serviço do bem, revelando-se, glorioso e dominante, em seus sacrifícios da cruz, aprendendo, finalmente, em companhia d’Ele que só o Amor é bastante forte para defender a vida, que só o Perdão vence o ódio, que somente a Fé renasce de todas as cinzas das ilusões mortas e que somente o Sacrifício Individual, em Seu Nome, é o caminho da ressurreição a que fomos chamados.
Unamo-nos, desse modo, não apenas em necessidades e dores para rogar o sustento e o socorro da Misericórdia Divina, mas estejamos integrados na fraternidade legítima, a fim de que não estejamos recebendo em vão as graças do Céu, convertendo nossas vidas em abençoadas colunas do templo Espiritual de Jesus na Terra, portadores devotados de sua paz, de sua luz, de sua confiança e de seu amor.
Realizem outros as longas incursões do raciocínio, através da investigação intelectual, respeitável e digna, no enriquecimento do cérebro do mundo. E aproveitando-lhes o esforço laborioso, no que possuem de venerável e santo, não nos esqueçamos do Evangelho vivo, em ação.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
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Todas as missões dignificadoras dos grandes vultos humanos são tarefas do Espírito. Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade, através da radiotelefonia. Apreciando, porém, o labor da inteligência humana, somos obrigados a reconhecer que nem todas essas missões têm naturalmente uma repercussão imediata e grandiosa no Mundo dos Espíritos.
Daí a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec. Suas atividades requisitaram a atenção do planeta e, simultaneamente, repercutiram nas esferas espirituais, onde se formaram legiões de colaboradores, em seu favor
Sua tarefa revelava ao homem um mundo diferente. A morte, o problema milenário das criaturas, perdia sua feição de esfinge. Outras vozes falavam da vida, além dos sepulcros. Seu esforço espalhava-se pelo orbe como a mais consoladora das filosofias; por isso mesmo, difundia-se, no plano invisível, como vasto movimento de interesses divinos.
Ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo. Este é de todos os tempos e situações da humanidade. Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã. Com esse título, conquistado a peso de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não morresse desesperado. E, contribuindo com a sua coragem, desde o primeiro dia de labor, organizaram-se nos Círculos da Espiritualidade os mais largos movimentos de cooperação e de auxílio ao seu esforço superior.
Legiões de amigos generosos da humanidade alistaram-se sob a sua bandeira cooperando na causa imortal. Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas dos homens, para que a ciência e a fé iniciassem a marcha da suprema união, em Jesus Cristo.
Não somente o orbe terrestre foi beneficiado. Não apenas os homens ganharam esperanças. O mundo invisível alcançou, igualmente, consolo e compreensão.
Os vícios da educação religiosa prejudicaram as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada. As ideias de um Céu injustificável e de um inferno terrível formaram a concepção do Espírito liberto, como sendo um ser esquecido da Terra, onde amou, lutou e sofreu.
Semelhante convicção contrariava o espírito de sequência da Natureza. Quem atendeu as determinações da morte, naturalmente, continua, além, suas lutas e tarefas, no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestido, mas a alma, senhora da Vida Imortal.
Essa realidade fornece uma expressão do grandioso alcance “da missão de Allan Kardec”, considerada no Plano Espiritual.
É justo o reconhecimento dos homens e não menos justo o nosso agradecimento aos seus sacrifícios “de missionário”, ainda porque apreciamos a atividade de um apóstolo sempre vivo.
Que Deus o abençoe.
O Evangelho nos fala que os anjos se regozijam quando se arrepende um pecador. (Lc) E a tarefa santificada de Allan Kardec tem consolado e convertido milhares de pecadores, neste mundo e no outro.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina de Luz
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EVANGELHO EM AÇÃO
Meus amigos, muita paz.
Nunca é demais salientar a missão evangélica do Brasil, na sementeira do espiritualismo moderno.
Em outros setores da evolução planetária, eleva-se a inteligência aos cumes da prosperidade material, determinando realizações científicas e perquirições filosóficas de vasto alcance, comprometendo, porém, a obra do sentimento santificante.
Em esferas outras, assinalamos a investigação de segredos cósmicos, na qual se transforma o homem no gênio destruidor da própria grandeza, alinhando canhões na retaguarda de compêndios valiosos e de comovedoras teorias salvacionistas, em todos os ângulos da política e da economia dirigidas.
No Brasil, contudo, ergue-se espiritualmente o ciclópico e sublime santuário do Cristianismo Redivivo.
Aqui a Doutrina Consoladora dos Espíritos perde as exterioridades fenomênicas para que o homem desperte à luz da Vida Eterna.
Aqui, o Evangelho em movimento extingue a curiosidade ociosa e destrutiva que se erige em monstro devorador do tempo, descortinando o campo de serviço pela fraternidade humana, sob o patrocínio do Divino Mestre.
É por isto que ao espiritista brasileiro muito se pede, (Ev) esperando-lhe a decisiva atuação no trabalho restaurador do mundo, porquanto na pátria abençoada do Cruzeiro a amplitude da terra se alia à sublimidade da revelação.
É necessário que em seus dadivosos celeiros de pão e amor se modifiquem as atitudes do crente renovado em Nosso Senhor Jesus, a fim de que o pensamento das Esferas Superiores se expanda livre e puro, nos círculos da inteligência encarnada, concretizando a celeste mensagem de que os novos discípulos são naturalmente portadores.
Não basta, portanto, apreender o contingente de consolações do edifício doutrinário ou receber a hóstia do conforto pessoal no templo sagrado que o Espiritismo Evangélico representa para quantos lhe batam às portas acolhedoras.
É imprescindível consagrar nossas melhores energias à extensão da fé vivificante que nos refunde e aperfeiçoa, à frente do futuro.
Semelhante edificação, todavia, não se expressará senão por intermédio de nosso próprio devotamento à causa da libertação humana, transformando-nos pelo esforço e pelo estudo, pelo trabalho e pela iluminação íntima, em hífens de amor cristão, habilitados à posição de instrumentos do Plano Superior.
O Espiritismo brasileiro congrega extensa caravana de servidores da renovação cultural e sentimental do mundo e complexas responsabilidades lhe revestem a ação com o Cristo.
Estendamos, assim, o serviço evangélico na intimidade da filosofia espiritualista, insculpindo em mós, antes de tudo, os princípios da doutrina viva e redentora de que nos constituímos pregoeiros.
Não cristalizemos, sobretudo, a tarefa que nos cabe à frente das exigências da Terra, refugiando-nos na expectativa inoperante, porque a ruína das religiões sectaristas provém da ociosidade mental em que se mergulham os aprendizes, aguardando favores milagrosos e gratuitos do Céu, com prejuízo flagrante da religião do dever bem cumprido na solidariedade humana, da qual depende a execução de qualquer sistema salvacionista das criaturas.
Acordemos, desse modo, as nossas forças profundas, colaborando no nível real de nossas possibilidades dentro da tarefa que nos cabe realizar, individualmente, no imenso concerto de regeneração da vida coletiva.
Enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar de felicidade isolada para nós mesmos.
Companheiros existem suspirando por um paraíso fácil, em que sejam asilados sem obrigações, à maneira de trabalhadores preguiçosos e exigentes que centralizam a mente nas noções do direito sem qualquer preocupação quanto aos imperativos do dever.
Esses, em geral, são aqueles que cuidam de conservar alva rotulagem, na planície das convenções terrenas, muita vez à custa do sofrimento e da dilaceração de almas inúmeras que lhes servem de degraus, na escalada às vantagens de ordem material e perecível, para despertarem, depois, infortunados e desiludidos, nos braços da realidade amargurosa que a morte descerra, invariável.
Nós outros, no entanto, não ignoramos que a Nova Revelação nos infunde energias renovadas ao coração e à consciência, com os impositivos de trabalho e responsabilidade no ministério árduo do aperfeiçoamento e sabemos, agora, que o homem é o decretador de suas próprias dores e dispensador das bênçãos que o cercam, de vez que a Lei de Justiça e Equilíbrio expressa em cada um de nós o resultado de nossa sementeira através do tempo.
É indispensável a nossa conversão substancial e efetiva ao Espírito do Senhor, materializando-lhe os ensinos e acatando-lhe os desígnios, onde estivermos, para que, na condição de servidores de um país extremamente favorecido, possamos conduzir o estandarte da reabilitação espiritual do mundo que se perde, rico de glórias perecíveis e mendigo de luz e de amor.
Esperando que a paz do Mestre permaneça impressa em nossas vidas, que devem traduzir mensagens cristalinas e edificantes de seu Evangelho Salvador, terminamos, invocando-vos a cooperação em favor do mundo melhor.
— Entrelacemos corações em torno da Boa Nova que nos deve presidir às experiências na atividade comum! Enquanto os discípulos distraídos se digladiam, desprezando, insensatos, a bênção das horas, ouçamos a voz do Senhor que nos compele à disciplina no serviço do bem, revelando-se, glorioso e dominante, em seus sacrifícios da cruz, aprendendo, finalmente, em companhia d’Ele que só o Amor é bastante forte para defender a vida, que só o Perdão vence o ódio, que somente a Fé renasce de todas as cinzas das ilusões mortas e que somente o Sacrifício Individual, em Seu Nome, é o caminho da ressurreição a que fomos chamados.
Unamo-nos, desse modo, não apenas em necessidades e dores para rogar o sustento e o socorro da Misericórdia Divina, mas estejamos integrados na fraternidade legítima, a fim de que não estejamos recebendo em vão as graças do Céu, convertendo nossas vidas em abençoadas colunas do templo Espiritual de Jesus na Terra, portadores devotados de sua paz, de sua luz, de sua confiança e de seu amor.
Realizem outros as longas incursões do raciocínio, através da investigação intelectual, respeitável e digna, no enriquecimento do cérebro do mundo. E aproveitando-lhes o esforço laborioso, no que possuem de venerável e santo, não nos esqueçamos do Evangelho vivo, em ação.
Emmanuel (espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: Doutrina de Luz
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O Espiritismo
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PENSAMENTOS DE EMMANUEL
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Utilize seus recursos
Utilize seus recursos
A maioria dos homens não vive em paz.
Estar em paz não significa apenas não fazer parte de uma guerra.
Muitas vezes não há atritos visíveis com os semelhantes, mas a criatura permanece sem sossego.
A paz interior consiste em uma harmonia preciosa e constante.
Quem desfruta desse tesouro convive bem consigo mesmo.
Por mais que enfrente dificuldades na vida, seu íntimo permanece tranqüilo.
O homem pacificado não necessita inventar distrações.
A percepção de seu mundo interior não o angustia.
A agitação da sociedade moderna evidencia quão poucos realmente desfrutam de paz.
As inovações tecnológicas gradualmente liberam o homem de tarefas repetitivas e tediosas.
Cada vez ele dispõe de mais tempo livre, mas não utiliza suas folgas para conhecer e cultivar o próprio caráter.
Na ânsia de conquistar coisas, multiplica desnecessariamente as horas de trabalho.
E nos raros momentos em que se permite ficar livre, procura distrações ruidosas e absorventes.
É como se o encontro com a própria alma fosse algo a ser evitado.
Sejam ricos ou pobres, bonitos ou feios, cultos ou iletrados, os homens procuram fugir de si próprios.
Mesmo quem reúne condições consideradas ideais para a felicidade raramente desfruta dessa situação.
As criaturas enfrentam torturas íntimas, ansiedades e complexos aparentemente injustificados.
Por mais que a vida siga tranqüila, a ausência de paz permanece.
A questão é que a verdadeira paz pressupõe a consciência tranqüila.
E tranqüilidade de consciência só tem quem está em harmonia com as leis divinas.
Todos os homens já viveram inúmeras vidas, em sua jornada pelo infinito.
Foram criados ignorantes e simples e se destinam à mais elevada sabedoria.
Para crescer em entendimento e compreensão, encarnam inúmeras vezes, em diferentes situações.
Objetivando aprender a discernir o certo do errado, dispõem da liberdade de agir.
Contudo, respondem por tudo o que fazem.
A lei humana é falha e muitos equívocos são por ela ignorados.
Mas na consciência de cada ser encontram-se registrados todos os seus atos.
Maldades cometidas contra os irmãos podem ter sido bem escondidas no passado.
Mas quem se permitiu viver o mal mantém em seu íntimo a marca da desarmonia.
Ocorre que toda vivência, mesmo marcada pelo erro, deixa a herança da experiência.
De cada refrega o homem sai amadurecido.
A cada vida ele cresce em entendimento e possibilidades.
O importante é aprender a utilizar no bem os recursos adquiridos.
Em sua primeira epístola, o apóstolo Pedro afirma: "o amor cobre a multidão de pecados".
Os erros fazem parte do processo de aprender.
Mas apagá-los mediante o amor bem vivido propicia paz e harmonia.
Assim, utilize seus recursos no bem. Contabilize todos os tesouros que você amealhou no decorrer dos séculos:
Inteligência,
sensibilidade, aptidão para falar ou escrever, habilidades as mais
diversas. Empregue tudo isso na construção de um mundo melhor.
Ao utilizar amorosamente
seus talentos, você estará cumprindo a tarefa que lhe cabe no concerto
da criação. E uma sublime paz habitará seu coração.
Pense nisso.
Vencer o sofrimento do corpo e da Alma
Vencer o sofrimento do
corpo e da Alma
Paiva Netto
Geralmente,
fundam-se instituições tendo em vista aqueles que necessitam de bens materiais,
destituídos daquilo que os olhos penosamente testemunham. Todavia, o
padecimento das gentes vai muito além do que se comprova na triste visão da
pobreza humana. A dor não se encontra apenas nos barracos, nos mocambos, nos
charcos, nos dias e madrugadas em que a LBV, ininterruptamente, levanta os
mendicantes com a Ronda da Caridade* (socorrendo o povo há mais de cinquenta
anos). As angústias também estão, e ferozes, nas mansões, nos apartamentos de
luxo, nos palácios, onde o Amor nem sempre habita. E não há maior sofrimento do
que a ausência dele.
Clamando
por tranquilidade d’alma
Lá, nos
ambientes requintados, há igualmente mães que choram a incompreensão dos filhos
e filhos que sofrem o abandono dos pais; casais que não se compreendem;
enfermos cercados de atenções médicas, mas sem a sustentação dos corações que
mais amam (...). Todos enfrentamos problemas. Todos! Se o drama não é
estritamente pessoal, padece-se por alguém muito querido. Um mundo de
paradoxos, de contrastes impensáveis. Em última análise, somos simples seres falíveis,
clamando por tranquilidade d’alma; instintivamente anelando a concórdia, aliada
ao conhecimento da Verdade, de preferência a Divina. Jesus, o Amigo que não
abandona amigo no meio do caminho, possui capacidade para iluminar o íntimo das
criaturas. Ensinava Alziro Zarur (1914-1979): “Nenhum sofrimento é vão, nenhuma
lágrima se perde. A vida humana é apenas uma preparação para a Verdadeira Vida.
Não há um pranto sequer que Deus não veja. E quem não chora a sua lágrima
secreta? O Pai Celestial guarda-as para toda a Eternidade”. As dos pobres e as
dos ricos, pois o que importa, numa sociedade realmente solidária, é o ser
humano!
No
Evangelho segundo Mateus, 11:28, e consoante João, 15:5 e 14:18, o Cristo
generosamente nos convida: “Vinde a mim todos vós, que estais exaustos e
oprimidos, e vos darei lenitivo. Eu sou a árvore, vós sois os ramos. Nada
podereis fazer sem mim. Não vos deixarei órfãos”.
O
conforto espiritual no Apocalipse
E essa
consolação nos fortalece neste momento em que a violência campeia livre pelo
mundo.
Algumas
pessoas não sabem, mas o Apocalipse (não o confundir com previsões de fim de
ano nem com Nostradamus) do mesmo modo oferece alento aos que o analisam sem
ideias preconcebidas, as quais não soam bem ao pensamento libertário da era em
que vivemos. Ele anuncia, para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir, o
mais glorioso acontecimento de todos os tempos da História — a Volta de Jesus.
Por que não?! Victor Hugo (1802-1885) costumava lembrar que quem hoje afirma
que algo é impossível tacitamente se coloca do lado dos que vão perder. No
Livro da Revelação, 2:10 e 22:12, o Divino Senhor conforta: “Não temas as
coisas que tens de sofrer. (...) Sê fiel até à morte, e Eu te darei a coroa da
Vida. (...) Comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo
as suas obras”.
É
indispensável, portanto, orar e vigiar, mormente nas ocasiões de crise,
qualquer que seja o local ou o instante. A dor não aguarda oportunidade para
bater à porta do coração. E a prece não é somente útil nos transes dramáticos
da vida, mas essencial na hora de buscar as soluções para os desafios de ordem
filosófica, política, econômica, científica, religiosa, artística, esportiva
etc.
Orar =
meditar
Orar e
meditar assemelham-se. Ser humilde, perante a Verdade, é conduta
imprescindível. Assim pensava o ilustre professor e missionário metodista Eli
Stanley Jones (1884-1973), que permaneceu largo período de sua vida na Índia e
visitou várias vezes o Brasil: “A humildade é a essência da Criação Divina. A primeira
providência para o encontro com Deus é liquidar com o orgulho. Quando a
pretensão termina, o poder tem início”.
Convém
igualmente recordar esta advertência de Confúcio (551-479 a.C.): “Pague a
Bondade com a Bondade, mas o mal com a Justiça”.
É oportuno,
porém, destacar que o mestre de Mêncio não falava de revanche, mas de Justiça.
A Oração
Ecumênica de Jesus
A vocês,
prezados leitores, pois, dedicamos a admirável rogativa que Jesus nos legou,
como um convite à reflexão nos momentos de angústia. Nunca é demais elevar o
pensamento e o coração ao Altíssimo. A Prece que o Cristo ensinou, clara,
concisa e prática, é perfeita para todos os instantes da vida, na alegria ou na
tristeza, mormente agora, num mundo em que tudo acontece com velocidade espantosa.
Todos podem rezar o Pai-Nosso. Ele não se encontra adstrito a crença alguma,
por ser uma oração universal, consoante o abrangente Espírito de Caridade do
Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Qualquer pessoa, até mesmo ateia (por que
não?!), pode proferir suas palavras sem sentir-se constrangida. É o filho que
se dirige ao Pai, ou é o ser humano a dialogar com a sua elevada condição de
criatura vivente. Trata-se da Prece Ecumênica por excelência:
“Pai
Nosso (ou diria o Irmão Ateu, ó minha consciência que paira na altitude do meu
ideal!), que estais no Céu (e em toda parte ao mesmo tempo), santificado seja o
Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino (de Justiça e de Verdade). Seja feita a
Vossa Vontade (jamais a nossa vontade) assim na Terra como no Céu. O pão nosso
de cada dia dai-nos hoje (além daquele que sustenta o corpo, necessitamos do
transubstancial, a comida que não perece, o alimento para que o Espírito não
esmoreça). Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos
ofensores. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque
Vosso é o Reino, e o Poder, e a Glória para sempre. Amém!”
Que a Paz
de Deus esteja agora e sempre com todos nós.
José de
Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
JAMAIS APOSENTAR-SE DA VIDA
Jamais aposentar-se da vida
Paiva Netto
Vinte e seis de julho é o Dia dos Avós. Por oportuno, apresento-lhes trechos de meu editorial na 24ª edição da Revista LBV
(Jan-Fev de 1992), publicado anteriormente na década de 1980, pela “Folha de S.Paulo”.
Vivemos
época de constante progresso material. Entretanto, não se verifica o
correspondente avanço no campo da ética e do
Espírito. Resultado: males como a fome, a violência e o desrespeito à
Natureza perduram. E lamentavelmente as pessoas da terceira idade também
são atingidas pela frieza dos sentimentos humanos.
É verdadeiro crime não se reconhecer o valor dos Irmãos idosos. Neste período da vida, mais do que nunca se fazem merecedores
do carinho e da solidariedade dos mais moços, num justo reconhecimento à contribuição que legaram à sociedade.
Na
LBV não acreditamos em velhice como sinônimo de coisa deteriorada.
Ninguém é velho quando tem um bom e grande Ideal. Pode
não mais carregar um piano, não mais passear de motocicleta. Se possui,
porém, ânimo dentro de si, é jovem. As pessoas a certa altura da vida
precisam, com raras exceções, aposentar-se de seus empregos, mas não o
devem fazer com relação à vida. Devem ir à luta
enquanto puderem respirar.
A
Legião da Boa Vontade mantém com o seu extenso trabalho de promoção
humana e social os Lares de amparo aos velhinhos. Neles
os vovôs e vovós são tratados com muito Amor e, o que é melhor, aprendem
que nunca é tarde para colaborar em prol de uma Humanidade mais feliz,
pois é a força dos bons exemplos que inspira as novas gerações a
vencerem os obstáculos da existência terrena.
Idade
não dá nem tira caráter a quem quer que seja. E tudo, independentemente
da idade biológica, pode corrigir-se, porque
o Cristo é o médico competente dos males do corpo e da Alma. Na LBV é
inumerável a juventude de cabelos brancos que vibra, constrói lado a
lado com aqueles que — também trazendo dentro de si mesmos o Ideal do
Amor de Deus pela Humanidade — são ainda jovens
no corpo. Aquele que ama o seu semelhante com o Amor do Cristo tem a
pujança e a força interior de Sua Eternidade.
Pode
parecer um paradoxo. Todavia, o país que desampara os seus idosos não
crê no futuro da sua mocidade. Que é a nação,
além de seus componentes? Havendo futuro, os moços envelhecerão. Viverão
mais. Contudo, também irão aposentar-se... Uma convicção arraigada do
gozo imediato das coisas é a demonstração da descrença no amanhã. E há
os que ainda moços pensam: “Vamos viver agora,
antes que tudo acabe! E os que conseguiram resistir tanto, que se
danem...“ Não há exagero algum aqui. É o que também se vê. Tem-se a
impressão de que alguns daqueles que desfrutam do vigor da juventude
ignoram a possibilidade de alcançar a decrepitude. Mas
poderão chegar lá... Não existe futuro sem moços. Também, não o há sem
os idosos.
Temos de aliar ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia dadivosa dos mais moços. (...)
Lutamos
por um mundo que ofereça oportunidades para todos. E isto não é
impossível. Impossível é continuar como está: a terrível
paisagem das almas ressequidas pela indiferença ao Amor de Deus, como os
ossos secos da visão do Profeta Ezequiel. O nosso planeta tem de
receber o sopro espiritual da Vida, pois é rico e muito amplo, com
espaço suficiente para todo mundo. Vovô, vovó, mamãe,
papai, professores... nós, seus netos, filhos e alunos, os amamos e
precisamos ter de vocês toda a experiência, todo o sentimento, todo o
carinhoso incentivo. E isto é essencial na Era do Apocalipse. Os tempos
chegaram.
José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br
— www.boavontade.com
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