"Nenhuma sombra tem poder onde a consciência permanece desperta"
Chico Xavier ensinava que a expressão “fazer macumba” nasceu do medo, do preconceito e da ignorância espiritual acumulados ao longo do tempo. Para ele, esse termo jamais representou uma realidade doutrinária séria, mas sim uma forma simplificada e injusta de explicar aquilo que não se compreende. Reduzir práticas espirituais, religiões inteiras ou fenômenos mediúnicos a essa palavra era, segundo Chico, uma maneira de fugir do verdadeiro entendimento moral da vida espiritual.
Chico afirmava com clareza que ninguém perde a proteção espiritual por atitudes ou intenções de terceiros. O ser humano não é um corpo indefeso à mercê da vontade alheia. A proteção espiritual, ensinava ele, nasce da conduta, do pensamento e da consciência. Onde há equilíbrio interior, fé lúcida e responsabilidade moral, não existe brecha para interferências negativas. O mal não invade, ele só se aproxima quando encontra sintonia.
Para Chico Xavier, o que muitas pessoas chamam de “macumba” não passa, na maioria das vezes, de superstição, autossugestão ou exploração do medo humano. Espíritos não agem por rituais externos, mas por afinidade mental. Nenhuma prática possui poder absoluto. O que realmente conecta consciências é o estado emocional, a culpa cultivada, o medo alimentado e a repetição de pensamentos desequilibrados.
Ele ensinava que o verdadeiro perigo espiritual não está fora, mas dentro. Não está no outro, mas na forma como cada um administra seus sentimentos, escolhas e atitudes. Quando a pessoa vive em coerência, caridade e verdade, permanece naturalmente protegida. Não por privilégio, mas por lei espiritual.
Assim, Chico Xavier devolvia ao ser humano aquilo que muitos tentam terceirizar: a responsabilidade sobre o próprio campo espiritual. O esclarecimento liberta. O medo aprisiona. E nenhuma sombra tem poder onde a consciência permanece desperta.
